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Lacta pode iniciar produção de chocolate em abril

Carmem Murara - Folha do Paraná
09 fev 2001 às 08:57

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A Philip Morris - empresa que detém o controle da Lacta - informou ontem que ainda não tem definida a data em que começará a produção dos chocolates na unidade industrial de Curitiba. Mas a tendência é que a linha de produção seja ativada em abril, para que não se perca a continuidade de abastecimento do mercado. A fabricação dos produtos vai ser interrompida até o final de março numa das fábricas de São Paulo, localizada no bairro de Pinheiros. Por enquanto, a empresa concentra sua produção no estado apenas nos refrescos Tang e Clight.

O anúncio do fechamento da fábrica paulista e posterior demissão de 350 funcionários já havia sido feito há mais de um ano, quando a Philip Morris confirmou que iria manter em Curitiba uma fábrica do setor de alimentos. O grupo tinha na Cidade Industrial de Curitiba (CIC) uma unidade de produção de cigarros, mas por causa das poucas vendas e crise no mercado exportador foi obrigada a encerrar as atividades no final de 1998.


O barracão ocioso foi adaptado para receber a linha de produção dos refrescos e a posterior fabricação de chocolates. Na época, a Philip Morris conseguiu se encaixar no programa de incentivos fiscais do governo do Estado. A empresa ganhou dilação de prazo para recolher o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e financiamento para treinar funcionários.


A guerra fiscal foi relembrada ontem em São Paulo. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, defendeu que São Paulo conceda benefícios fiscais assim como fazem outros estados. Isso interromperia a saída de fábricas do estado. "Ou São Paulo entra na guerra fiscal ou vai continuar a perder indústrias", disse, ao ser questionado sobre o caso da Philip Morris.


Paulinho avalia que se São Paulo comprar a briga, poderá estimular o presidente Fernando Henrique Cardoso a resolver a disputa entre os estados, que se trava em cima da renúncia fiscal do ICMS. Pela atual lei tributária, cada estado tem autonomia para definir regras e conceder benefícios. Somente a reforma prometida desde o início do primeiro mandato de FHC resolveria a situação.

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A diretoria da Philip Morris informou ontem que a transferência para Curitiba não se deu por causa dos benefícios fiscais. O motivo teria sido o sucateamento da fábrica de Pinheiros, que estava sem condições de ser modernizada. Esse foi o mesmo discurso utilizado na época em que anunciou a reativação da fábrica da CIC, que deixaria de produzir cigarros para produzir alimentos. Curitiba vai fabricar as marcas de chocolate Break, Lance e Amandita. (com Agência Estado)


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