O governador do Paraná, Jaime Lerner, apresentou um relatório da Comissão Interamericana de Energia (Cier) que coloca a possibilidade de integração do setor de energia elétrica na América Latina.
"Se for otimizada a energia existente na América Latina, poderemos ter um potencial de uma Itaipu por ano", avaliou o governador, durante a apresentação de detalhes da importação de 450 megawatts (MW) de energia da Argentina.
Lerner criticou as campanhas nacionais para que os estados do Sul façam parte do racionamento de energia elétrica e argumentou que a região é responsável por 20% da energia gerada em todo o País. Setenta por cento da produção do Paraná é destinada para o Sudeste brasileiro. "Fizemos nossa lição de casa e estamos fazendo muito mais. Importamos energia a custo baixo de países que tem excesso de produção", destacou.
Com a importação de energia nova, o Paraná já está distribuindo seis mil megawatts para o mercado nacional. "Nós fomos as formigas que produziram energia. Não sei quem foi a cigarra desta história", comparou, fazendo relação com a fábula infantil "A cigarra e a formiga". Diretores da Copel destacaram que o Estado já contribuiu com o racionamento de energia, diminuindo o consumo de 9% no último mês.
O diretor presidente da Tradener Comercialização de Energia (empresa privada subsidiária que comercializa energia e que tem como sócia majoritária a própria Copel), Walfrido Victorino Ávila, disse que estão sendo fechados diversos contratos de importação de energia. Um deles, de mil megawatts da Argentina já começou a operar com a distribuição sendo feita através de Furnas. Em fevereiro, mais mil megawatts serão distribuídos da Argentina para o Brasil. "A Copel é que compra esta energia e distribui para o sistema nacional", explica Ávila.
Outros dois contratos de importação de energia já foram fechados. Um de 150 megawatts da Bolívia que entrarão no Brasil por Corumbá e serão distribuídos a partir de maio de 2002. Outro de 3 mil megawatts que virão da Argentina no final de 2004. "Este projeto será o início da interligação elétrica com os países da América Latina. Temos que pensar o setor a longo prazo e é isto que estamos fazendo", destacou.