O mercado financeiro está aguardando a divulgação de um novo edital de venda da Copel ainda esta semana. A informação que circulou nesta terça-feira entre os analistas é que o governo Lerner vai mesmo dividir a estatal em três empresas e o mercado trabalha com a possibilidade de que o próximo leilão seja realizado no dia 30 de novembro, informou Mohamed Talah Júnior, da empresa de gestão de recursos Century.
De acordo com Talah Júnior, o mercado financeiro está ansioso por novas informações à respeito da realização de um terceiro leilão. Um dos sintomas da espera é o congelamento no valor das ações da estatal em R$ 16,00 o lote de mil ações. "Ninguém vende, ninguém compra desde a última segunda-feira", disse o analista. Segundo ele, quem tem ações está segurando esperando o que vai acontecer.
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Para o analista, o mercado financeiro está mais otimista com os investimentos estrangeiros e com a descolagem do País com o risco Argentina. "Daí a volta do interesse de grupos estrangeiros em comprar a Copel", informou Talah Júnior. Segundo ele, a divisão da estatal ou o descolamento das ações são as alternativas cogitadas.
O analista Wagner Salaverry, da corretora gaúcha Geração, confirma que o mercado financeiro está aguardando os próximos passos para a privatização da Copel. Segundo ele, os possíveis compradores estão aguardando o governo promover a cisão da empresa ou reduzir o preço mínimo da estatal. O inconveniente da cisão, seria a queda nas ações das empresas que ficariam com a distribuição e transmissão de energia. Porém, haveria um aumento nas ações da empresa encarregada da geração.
Outra alternativa, segundo o analista, seria aguardar até 31 de janeiro de 2002, quando expira o prazo da obrigatoriedade do governo em cumprir o acordo de acionistas com os minoritários.
A partir dessa data, segundo Salaverry, o governo não teria mais a obrigação de fazer a oferta aos minoritários. Com isso o preço final de venda da estatal em bloco seria reduzido em quase R$ 800 milhões, o que também pode se tornar atrativa, de acordo com as especulações de mercado. "A dúvida é saber se o governo teria ou não a disposição de fazer o leilão, no início do ano que vem, praticamente seis meses antes das eleilões", indagou.