Os representantes de patrões e trabalhadores repudiaram a proposta apresentada pelo governo federal de repartir o pagamento da correção do FGTS entre patrões e empregados. Em Curitiba, os sindicatos filiados à Força Sindical e à Central Única dos Trabalhadores (CUT) anteciparam que vão resistir à tentativa do governo de enfiar essa proposta "goela abaixo" das forças produtivas. O empresário Zulfiro Bózio, um dos líderes da indústria eletroeletrônica também foi contra a proposta, argumentando que ela sobrecarrega a folha de pagamentos e reduz ainda mais a margem de competitividade das empresas brasileiras.
O sindicalista Nuncio Manalla, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba, não acredita na viabilidade da proposta. Segundo ele, o governo lançou um balão de ensaio para negociar depois. Ele defende uma mudança de estratégia que é a de cobrança de quem não paga imposto. "Com essas propostas o governo acaba empurrando a economia ainda mais para a informalidade", disse.
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O presidente dos Trabalhadores no Comércio de Curitiba e Região Metropolitana, Ariosvaldo Rocha, também repudiou a proposta do governo. Para ele, é o mesmo que mandar o trabalhar pagar a sua conta na correção do FGTS. Segundo Rocha, essa proposta vai encontrar resistência na Força Sindical, central da qual o sindicato dos comerciários é filiado. "Ao invés de cobrar a conta de trabalhadores e patrões o governo devia é cortar gastos e acabar com esses roubos absurdos que a gente lê diariamente na imprensa", reagiu indignado.
O líder da CUT em Curitiba, Roberto Van Der Osten, disse que não dá para aceitar a proposta porque a conta vai recair sobre quem não tem nada a ver com os erros do governo no passado. "Os trabalhadores jovens que estão entrando agora no mercado de trabalho e as empresas novas não podem arcar com uma conta que não fizeram", destacou. Osten prevê um grande embate jurídico se o governo insistir na proposta.
Para o empresário Zulfiro Bózio, a proposta do governo para correção do FGTS onera ainda mais a folha de pagamento das empresas, que já estão sufocadas com um volume excessivo de pagamento de impostos. Cada vez que uma medida dessa é adotada, as empresas perdem em competitividade sem que o governo faça nada para apoiar o setor produtivo. "Enquanto o governo espreme as empresas cada vez mais com elevação de alíquotas dos impostos, ele mantém abertas as importações de produtos similares aos nossos, que chegam aqui a preços mais competitivos", salientou.