Notícias

A cada dia 'nascem' 10 empresas em Londrina

31 dez 1969 às 21:33

Abrir um negócio. Muitos sonham com o dia de gerenciar sua própria empresa, mas é preciso cautela para ele não se tornar um pesadelo. Ter uma boa ideia é fundamental, mas também é importante procurar uma consultoria e fazer uma boa pesquisa de mercado.

Foi assim que Caio Araújo procedeu antes de abrir uma casa de carnes, não um daqueles tradicionais açougues, mas uma opção para quem resolveu fazer um churrasco de última hora. Ele tinha uma ideia de negócio que poderia dar certo. E a pesquisa de mercado ajudou a esclarecer algumas questões.


''Eu precisava saber de algumas direções que poderia tomar e se a ideia era realmente viável. Também tinha que analisar a vantagem de vender um tipo de produto ou outro e até estudar o tipo de atendimento'', explica o empresário que desde março administra o Master Grill, seu primeiro negócio, e utilizou a pesquisa para montar a empresa não só pela sua intuição.


Um antigo sonho e a estabilidade do mercado influenciaram Marco Sena, há dois meses, a abrir uma panificadora. Situada na Avenida São João, na Zona Leste, ele não fez uma pesquisa de mercado, mas foi em busca de informações antes de arriscar. Como é o seu primeiro negócio na área, visitou junto com sua esposa quase todas as padarias da cidade para ter uma noção. ''Por isso, eu demorei uns seis meses procurando por um ponto (comercial) e tentando me informar direito antes de abrir. Tanto que eu demorei seis meses para encontrar o prédio e fazer a instalação'', explica.


Araújo e Sena estão entre os 3.450 empreendedores formais, que até dezembro do ano passado abriram suas portas no comércio. De acordo com levantamento da FOLHA (obtido junto à Secretaria Municipal de Fazenda, cujo número é menor que o da Junta Comercial do Paraná), uma média calculada sobre o total de empresas abertas aponta que quase dez nascem por dia. Com relação ao ano anterior houve uma redução de 5% no número de novos empreendimentos (veja quadro). ''A estabilidade e o crescimento da economia tem influência sobre esse aumento. Mesmo com os rumores da crise o bom momento ainda produz reflexos'', avalia Denilson Vieira Novaes, diretor de Tributos da Secretaria da Fazenda.


Mas os rastros da crise econômica mundial já chegaram a Londrina. O desempenho do mês de dezembro foi de 268 novas empresas e está abaixo da média anual. O último trimestre manteve a média abaixo dos mil novos empreendedores, superada apenas no terceiro trimeste com 1083 ocorrências. ''O desafio do empreendedor é saber onde está a demanda, afinal 60% do total são microempresas'', analisa Novaes.


E caso a desaceleração avance com mais expressividade 2009 adentro, a geração de empregos vai sofrer reflexos consideráveis porque as micro e pequenas empresas geram cerca de 28,7 milhões de vagas no Brasil, segundo Simone Millan Shavarski, consultora do Sebrae-PR. ''Elas são fundamentais para o mercado. Há uma perspectiva de crescer, porque de acordo com nossas pesquisas muitos têm deixado os empregos formais e aberto um negócio'', considera Simone.


PR bate recorde em abertura de novas empresas


Não há momento ruim para empreender, obviamente, desde que analisadas e respeitadas as variáveis negativas. A afirmação, talvez, possa explicar o aumento de 11,25% no número de empresas abertas no Estado, no ano passado, na comparação com 2007. Aliás, número recorde, segundo levantamento da Junta Comercial do Paraná (Jucepar). Foram 53.087 novos empreendimentos, que abriram as portas alheios à crise mundial: mais da metade nas áreas de comércio e serviços. Apenas São Paulo e Minas Gerais superaram a estatística paranaense.


Nos dois meses subsequentes aos primeiros sinais da crise norte-americana – outubro e novembro do ano passado – houve recuo de 8,42% e de 1,07%, respectivamente, na criação de empresas no Paraná, comparando com os resultados dos mesmos meses de 2007. Mas, já em dezembro, o empresariado retomou a confiança e 3.450 empreendimentos formais engrossaram a economia do Estado.


Depois de registrar uma queda de quase 4%, em 2006 em relação a 2005, no número de empresas abertas no Paraná, nos últimos dois anos o cenário se alterou. Em 2007, o crescimento foi de 8,3% como reflexo da implantação do Supersimples. ‘Desde o final de 2006, a entrada em vigor da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, do Supersimples e a adoção de outras políticas do governo do Estado, como a da isenção do ICMS, facilitaram a criação de novos empreendimentos com a desoneração na carga tributária’, afirmou o presidente da Jucepar, Júlio Maito Filho.


Maito Filho lembrou que o movimento na Junta Comercial, este ano, deve ser muito maior, principalmente, a partir do segundo semestre, quando entrará em vigor a lei que criou o Microempreendedor Individual (MEI). A legislação, aprovada no final de 2008, propõe-se a tirar da informalidade trabalhadores como manicures, eletricistas, doceiros e feirantes. Estima-se que 10 milhões de pessoas se encaixem nesse perfil no País. ‘O Paraná responde por 5% a 6% da economia brasileira, portanto a expectativa é de registrarmos de 500 mil a 600 mil como MEI’, ponderou.


Interior


Segundo levantamento da Jucepar, Curitiba e região metropolitana lideram o ranking de novas empresas: foram abertos 15.448 empreendimentos. Já o interior respondeu por 70% dos novos empreendimentos com destaque para Londrina (3.974), Maringá (3.343), Ponta Grossa (2.985), Cascavel (2.103), Umuarama (1.335), Santo Antônio da Platina (1.122), Francisco Beltrão (1.048), Paranavaí (963), Foz do Iguaçu (955), Guarapuava (894) e Paranaguá (890).


O que tem caracterizado a economia paranaense é, justamente, a pulverização dos polos produtivos por diversos cantos do Estado. Esse aspecto, aliado à diversificação das atividades, tem ajudado a manter a economia do Paraná aquecida, avaliam especialistas no assunto.


O consultor do Sebrae/PR, Paulo Tadeu Graciano, vai além na explicação. ‘A tal crise tem efeito retardado no pequeno negócio. O consumidor não vai deixar de comprar seu pãozinho porque a Bolsa de Nova York caiu’, exemplificou, ao avaliar o aumento na criação de novas empresas no Estado.


Para Graciano, o pequeno negócio tem maior flexibilidade para buscar uma ‘nova rota’. Por isso, o empreendedor deve estar atento às variações do mercado. ‘Ele não pode insistir em vender o que ele quer. Tem que ver o que o mercado quer comprar’, observou. A principal dica para quem quer abrir uma empresa é ter planejamento. Isso envolve, entre outros aspectos, analisar o mercado (fornecedor, consumidor e concorrente), os pontos fortes e fracos do seu negócio, a parte financeira (qual estrutura disponível, capital de giro, ponto de equilíbrio, desempenho, rentabilidade) etc.

Andréa Lombardo/Equipe da Folha


Continue lendo