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Ações da Oi fecham o dia com queda de 18%; Bovespa tem alta de 1%

21 jun 2016 às 21:32

As ações preferenciais da companhia de telefonia Oi fecharam o dia desta terça-feira (21) com queda de 18,1% na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa), valendo R$ 0,81.

No início do pregão, a ação chegou a valer R$ 0,68, uma desvalorização de cerca de 30%, o que fez com que a BM&F Bovespa suspendesse as negociações dos papéis da empresa por cerca de uma hora. Já as ações ordinárias encerraram o dia valendo R$ 1,15, um recuo de 8,7%.


A companhia de telefonia Oi entrou na última segunda-feira (20) na 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio com um pedido de recuperação judicial, incluindo no processo um total em dívidas de R$ 65, 4 bilhões.


Impacto no Ibovespa


Os papéis da Oi não fazem parte do pacote que compõem o índice Bovespa (Ibovespa), que encerrou o dia em alta de 1,01%, aos 50.837 pontos. No entanto, entre as empresas que compõem o índice, a queda mais acentuada ocorreu nas ações do Banco do Brasil (-4,46%), um dos credores da Oi. Também tiveram baixa papéis da Qualicorp (-2,97%) e Equatorial (-1,66%). Já as maiores altas de hoje foram das ações da Localiza (5,24%), Smiles (5,10%) e Kroton (5,3%).


"Um pedido de recuperação nesse volume tem muita consequência. Há impostos atrasados, que a empresa pode não pagar. Há funcionários que podem ficar sem emprego e os bancos públicos, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], que têm recursos na Oi, empréstimos, o que, consequentemente, pode trazer no futuro problemas para clientes desses bancos", disse Erivelto Rodrigues, economista da Austin Asis Consultoria.


Dívida impagável


Segundo o economista, a empresa, que tem cerca de 70 milhões de clientes, cometeu erros estratégicos que a levaram a ficar com uma dívida praticamente impagável. A receita da Oi atualmente não consegue abater a dívida, apenas os juros. "O resultado operacional de caixa dela mal consegue pagar os juros dessa dívida. E não consegue amortizar a dívida. A dívida caminha exponencialmente para um processo impagável", destacou.


Para Rodrigues, o governo errou ao dar créditos de bancos públicos em alta escala à tele, e apostar que a operadora se sairia bem em um setor muito competitivo.

"O governo ter insistido em uma superempresa no setor de telecomunicações a meu ver não foi acertada. Competir em igualdade de condições com grandes empresas foi estratégia equivocada. Demanda um grande volume de recursos, exige vultosos investimentos, seja em tecnologia, marketing e infraestrutura", concluiu Erivelto.


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