Os produtores de carne do Paraná enfrentam sérias dificuldades há quase quatro meses por causa das suspeitas de febre aftosa no rebanho do estado. De acordo com levantamento do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne), desde outubro, eles acumulam um prejuízo de R$ 5 milhões por dia.
Economista do sindicato, Gustavo Fanaya diz que o prejuízo total dos frigoríficos já chega a R$ 300 milhões. Desse total, R$ 200 milhões estão relacionados aos produtos que deixaram de ser comercializados junto a União Européia e Rússia. Os outros R$ 100 milhões são prejuízos em conseqüência do embargo na comercialização interna, principalmente para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Na opinião de Fanaya, a existência de seis novos focos da doença no Paraná, anunciados pelo Ministério da Agricultura esta semana, não vai alterar a situação dos pecuaristas, classificada como a "pior possível". O economista explica que os focos divulgados são os mesmos que vinham sendo investigados desde o mês de outubro e só agora, após quatro meses, foram comprovados.
Para ele, não adianta acusar o Ministério da Agricultura de ter demorado na análise das amostras e isolar o vírus após notificação por parte do governo paranaense. O sindicato indica agora é o abate imediato das 6.295 cabeças de gado confinadas nas fazendas onde o ministério descobriu focos de aftosa. Com isso, seria possível evitar maiores prejuízos.