"O mercado agrícola brasileiro deixará de exportar R$ 5 bilhões anualmente, em consequência da ausência de acordos comerciais na Rodada Doha, realizada no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Bruxelas. Outra conseqüência séria deverá acontecer quando um determinado produto ficar com preço muito baixo no mercado internacional e os Estados Unidos resolverem reforçar o protecionismo em favor de seus produtores". A avaliação foi feita nesta quarta (30) pelo assessor técnico da Comissão Nacional de Comércio Exterior da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Matheus Zanella.
Zanella avaliou que o fracasso nas negociações de Doha "deverá desencadear um impulso de acordos bilaterais em todo o mundo, e o Brasil deverá aderir a essa prática. A posição irredutível dos Estados Unidos e dos países europeus em reduzir os subsídios internos aos agricultores foi lamentável", disse Zanella, porque a Rodada Doha "era a única plataforma internacional para tratar do assunto".
O representante da CNA defendeu que "o Brasil deve pensar em obter ganhos a partir de cuidados mais agressivos com a política sanitária e fitossanitária de seus produtos agropecuários e continuar aumentando a promoção internacional das coisas que exporta".
Acordos bilaterais
Após o fracasso das negociações da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que o Brasil vai direcionar esforços para realizar acordos bilaterais.
"O comércio vai continuar. Vamos continuar com os acordos bilaterais", disse Lula. Segundo o presidente, o Brasil deve fechar acordos com a União Européia e negociar com o Sistema de Integração Centro-americano (Sica), bloco comercial da América Central (com AE).