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Ambiente melhora e empresas retomam planos

Agência Estado
18 jun 2009 às 13:35

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A melhora verificada no mercado, principalmente nos últimos dois meses, tem aberto janelas de oportunidades para que as companhias voltem a vender ações em bolsa ou estudem emissões de títulos, como debêntures e notas promissórias. O objetivo é financiar os planos de investimentos ou alongar o perfil da dívida. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por sua vez, permanece como um dos principais agentes na concessão de recursos. O banco de fomento tem disponibilidade de R$ 166 bilhões em 2009, mas o presidente da instituição, Luciano Coutinho, está confiante na melhora das condições do crédito bancário e, por conta disso, estima que os desembolsos efetivos fiquem em R$ 120 bilhões até dezembro, incluindo o crédito de R$ 25 bilhões para a Petrobrás.

Para os executivos das companhias premiadas hoje no evento Destaque Agência Estado Empresas a combinação de caixa, emissão de dívida e recursos do BNDES deve garantir seus projetos. Consideradas como ações defensivas em tempos de crise, boa parte dessas companhias tem forte geração de caixa. Outras, como as de concessão pública, além de caixa garantido pelas receitas oriundas de tarifas, têm uma fatia significativa de recursos para investimentos obtida junto ao BNDES. Esse universo de companhias tem pouca dependência de financiamento bancário privado para viabilizar seus investimentos. "No entanto, retomada do crédito ao nível pré-crise seria uma notícia adicionalmente positiva para os planos de investimentos," observou Nelson Jamel, diretor de Relações com Investidores da AmBev.

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A fabricante de bebidas, 5ª colocada na premiação, prevê aportes de aproximadamente R$ 1 bilhão no País. A empresa acabou de inaugurar uma fábrica em Sete Lagoas (MG) e está implantando novas unidades de distribuição. Até agora, a AmBev já investiu R$ 230 milhões na nova unidade mineira. Nos próximos três anos, os aportes nessa fábrica devem chegar perto de R$ 350 milhões. "Obviamente está mais difícil obter financiamento de longo prazo, mas vamos usar a própria geração de caixa para continuar investindo", disse o executivo. Jamel revelou que a companhia vem discutindo financiamentos com o BNDES. "Do total de R$ 1 bilhão investido este ano, o BNDES pode participar com uma parcela que vai de 40% a 60%. Mas é um valor que ainda está sendo discutido," observou.


Natura


A Natura, grande vencedora do prêmio Destaque Agência Estado Empresas, é conhecida pelos investidores como forte geradora de caixa, o que permite tocar seus planos de investimentos com recursos próprios. Para este ano estão programados R$ 140 milhões que serão alocados no aumento da capacidade produtiva da fábrica de Cajamar (SP), desenvolvimento de novos produtos e a área de tecnologia da informação. A empresa estuda uma emissão secundária de ações.


CCR


A Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), 4ª colocada, tem planos de investir R$ 1,7 bilhão em 2009. Para fazer frente a esse montante, a empresa está atenta aos mecanismos de captação existentes, seja no mercado de capitais ou via BNDES. Segundo fontes, a CCR se prepara para emitir aproximadamente R$ 150 milhões em debêntures. Neste ano, a companhia já levantou R$ 1,3 bilhão em notas promissórias, com vistas a financiar a construção do trecho oeste do Rodoanel, em São Paulo. O grupo também contratou R$ 270 milhões do BNDES por intermédio de sua subsidiária AutoBan e aguarda a liberação de cerca de R$ 150 milhões do banco de fomento para a ViaOeste, sendo que a primeira parcela deste empréstimo deve sair no próximo mês.


Telefônica


A Telefônica, 8ª colocada, programa investir R$ 2,4 bilhões neste ano, dos quais R$ 750 milhões serão alocados somente em infraestrutura de transmissão de dados. No caso da Vivo, da qual a Telefônica tem 50% do capital, a prioridade será aprimorar o perfil da dívida da operadora de telefonia móvel, contratando empréstimos mais longos e menos custosos. Cerca de R$ 2,2 bilhões serão aportados pela operadora de celular em 2009 em ativo permanente. "A maior parte da necessidade de financiamento da Vivo já está contratada. Mas é certo que a empresa merece uma readequação do perfil da dívida", afirmou o vice-presidente de Finanças do grupo Telefônica, Gilmar Camurra. O executivo observou, no entanto, que forte geração de caixa da Vivo e o fato de suas necessidades de financiamento já estarem equacionadas permitem que o grupo "espere uma boa onda".


Cemig


A crise também não inibiu as empresas de concessão pública de realizarem planos de aquisições no mercado. A Cemig, 9ª colocada no prêmio Destaque Agência Estado Empresas, pretende captar R$ 2,6 bilhões por meio de uma emissão de debêntures e commercial papers para financiar a compra da Terna e alongar sua dívida. O diretor de Relações com Investidores da companhia, Luiz Fernando Rolla, revelou que a empresa está conversando com os bancos e pretende realizar a operação ainda em junho. Conforme o executivo, o valor da compra é de R$ 5 bilhões, dos quais R$ 900 milhões serão alocados pela Cemig e cerca de R$ 1,6 bilhão são dívida da Terna. O restante equivale aos R$ 2,6 bilhões que serão captados.


O orçamento para os investimentos em crescimento orgânico da empresa de energia mineira soma R$ 1,6 bilhão em 2009, dos quais 70% virão de recursos próprios. O restante deve ser financiado pelo BNDES ou pela Eletrobrás.


CPFL Energia


Ainda em energia, a CPFL Energia, 10ª colocada, planeja investir R$ 5 bilhões nos próximos cincos anos nos segmentos de geração e distribuição. O diretor vice-presidente financeiro e de Relações com Investidores da companhia, José Antonio Filippo, afirmou que os aportes para os próximos três anos, que somam R$ 3,456 bilhões, serão viabilizados em grande parte por recursos do BNDES.

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Sexta colocada na premiação, a Comgás, que obteve crédito de R$ 665 milhões com o BNDES, pretende captar cerca de R$ 400 milhões, o que pode ser feito via emissão de debêntures no mercado interno ou por meio de empréstimos com bancos estrangeiros e agências multilaterais que tenham interesse no setor de infraestrutura. Os recursos vão complementar o financiamento do seu programa de investimentos, que somará em média R$ 400 milhões ao ano entre 2009 e 2011.


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