Os leilões dos blocos de exploração e produção de petróleo na camada pré-sal deverão ser feitos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e não pela nova empresa estatal a ser criada para administrar as reservas do óleo. A informação foi dada à Agência Estado por três fontes do governo, sendo que uma delas participou na segunda-feira da reunião ministerial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na reunião, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, anunciaram aos colegas as linhas gerais do marco regulatório que vai reger a produção no pré-sal. Será criada uma empresa estatal só para cuidar das reservas e um fundo social para investir os recursos que cabem à União em saúde e educação.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Num primeiro momento, os integrantes da comissão interministerial que está elaborando o novo modelo queriam que a tarefa de realizar os leilões do pré-sal fosse passada para a nova estatal. A ideia em discussão era que, como no pré-sal o governo quer implantar um novo regime de exploração, chamado de partilha, seria conveniente dar à nova estatal competência para fazer os leilões.
Essa proposta, no entanto, foi abandonada diante da avaliação que a realização dos leilões pela nova empresa teria má repercussão entre os investidores. A ANP tem experiência em leilões e cabe a ela, hoje, fazer as rodadas de licitação dos blocos de exploração e produção de petróleo, que são operados no sistema de concessão. O enfraquecimento da ANP poderia gerar temor nos investidores, que veem as agências reguladoras como órgãos mais protegidos contra desmandos políticos.
Os leilões do pré-sal terão algumas singularidades em relação aos atuais leilões. Como a exploração do pré-sal será feita no regime de partilha (no qual o óleo pertence à União e a empresa selecionada é remunerada a partir de um porcentual fixo da receita ou do óleo), o critério para escolher os vencedores deverá ser diferente do atual. A ideia é que seja declarada vencedora a empresa ou o consórcio que, na disputa por um bloco, oferecer à União a maior fatia da futura produção.
No sistema de concessão leva o bloco quem oferecer à União o maior valor de bônus. Ou seja, ganha quem pagar mais. Outra diferença deverá ser relativa à assinatura do contrato. Hoje, quem assina os contratos de concessão com as petroleiras é a ANP. No pré-sal, as empresas assinarão a papelada diretamente com o Ministério de Minas e Energia.