Foram necessários cinco leilões do Banco Central no mercado doméstico de câmbio - três de venda direta de dólar (dois pela manhã e um à tarde) e mais duas operações de swap cambial (à tarde) - para fazer o dólar passar de uma alta máxima de 4,01%, a R$ 2,62, para a mínima de R$ 2,44, em queda de 3,14%, hoje. No fechamento dos negócios, o dólar comercial caiu 1,79%, cotado a R$ 2,474 no mercado interbancário de câmbio. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista recuou 1,08% a R$ 2,48.
No total, as cinco intervenções do BC somaram aproximadamente US$ 2,3 bilhões. Com essa demonstração de força da autoridade monetária, um fluxo cambial negativo para remessas de lucros e dividendos e ainda um aumento da demanda por proteção (hedge), o volume financeiro total à vista disparou 442% ante o da véspera, para US$ 7,46 bilhões.
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Os dois leilões de venda de dólares do BC pela manhã, num total de cerca de US$ 600 milhões, não contiveram a escalada das cotações, que iniciaram a tarde renovando as máximas até atingirem o teto de R$ 2,62. Nesse momento, por volta das 15 horas, o BC realizou, na seqüência, mais três leilões - um de venda direta de cerca de US$ 350 milhões e outras duas operações de swap cambial, num total de US$ 1,326 bilhão.
Só depois dessa demonstração de força do BC, o dólar zerou quase que instantaneamente os ganhos, pisou em terreno negativo e passou a renovar as mínimas.
Um operador de uma corretora paulista atribuiu a zeragem dos ganhos aos inesperados leilões realizados pelo BC à tarde. "O mercado achava que a autoridade monetária não voltaria a atuar à tarde, mas foi pego de calças curtas".
Para o analista da Itaú Corretora, Maurício Oreng, a pressão sobre o dólar é derivada de um conjunto de fatores. "Um pedaço da alta reflete demanda por dólar à vista para remessas de lucros e dividendos ao exterior por parte de fundos de hedge, entre outros, e empresas, uma vez que persistem as dificuldades para esses investidores rolarem as linhas de crédito aqui e no exterior." Outra parte da pressão, afirmou Oreng, resulta da busca de hedge por causa da perspectiva de um cenário macroeconômico pior em 2009. "Um cenário de recessão nos Estados Unidos e na Europa e forte desaceleração no Brasil e outros países emergentes aponta dificuldades para os preços das matérias-primas, o que ampara previsões de que os preços das exportações devem cair mais do que os das importações. Assim, a balança comercial brasileira perderá fôlego em 2009 e já trabalhamos com um déficit da balança comercial de pelo menos US$ 2 bilhões no próximo ano", prevê o analista.
Para Oreng, enquanto o ambiente global estiver deteriorado, como agora, o BC não vai conseguir conter a escalada do dólar no Brasil, afirma. "Novas pressões não estão descartadas para o curto prazo", prevê. "Um ponto de equilíbrio para o câmbio só tende a ser atingido no longo prazo, possivelmente a partir de 2010, quando o País tiver um PIB (Produto Interno Bruto) e uma quantidade de moeda norte-americana suficientes para um balanço de pagamentos mais equilibrado."