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Após dois anos de lucros, Sercomtel tem prejuízo de R$ 20 milhões em 2016

Nelson Bortolin - Grupo Folha
20 fev 2017 às 08:43

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Marcos Zanutto/Grupo Folha
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Depois de dois anos operando no azul, a Sercomtel voltou a apresentar prejuízo no ano passado. O balanço ainda não está finalizado, mas a diretoria da empresa adiantou à Folha de Londrina, do Grupo Folha, que o resultado líquido do exercício será de R$ 20 milhões negativos, aproximadamente. Para tentar reverter a situação, o novo presidente da operadora, o empresário Luiz Carlos Ihity Adati, determinou um corte de despesas de R$ 750 mil mensais para cada uma das quatro diretorias, totalizando R$ 3 milhões.

Em 2014 e 2015, a Sercomtel havia apresentado R$ 9 milhões e R$ 6,9 milhões de lucros, respectivamente. Antes disso, tinham sido nove anos de prejuízos consecutivos. A telefônica apresentava em 2015 um passivo de R$ 218,5 milhões, sendo R$ 64,4 milhões, de curto prazo. Segundo a diretora Financeira, Rosângela Miqueletti Martins de Oliveira, que assumiu a função há três semanas, a maior parte das dívidas da empresa se refere a impostos. "O passivo não é bancário. A Sercomtel vem construindo um passivo tributário, com parcelamentos", conta.

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Rosângela, que construiu carreira na área de finanças do agronegócio, explica que o parcelamento é feito de acordo com a legislação. "Não é pecado. A taxa (para quitar os tributos parcelados) é a Selic. É mais barato que buscar recursos no mercado financeiro", alega. Em seu balanço de 2015, a Sercomtel lançou um passivo de R$ 18,1 milhões como dívida de parcelamento de impostos de curto prazo. E de R$ 60,2 milhões, de longo prazo. "A gente conseguiu sobreviver todos esses anos utilizando recursos dos impostos", admite a diretora.


Os prejuízos apresentados pela operadora fizeram seu patrimônio líquido cair de R$ 288,3 milhões para R$ 88,2 milhões no período de 1998 a 2015. Em termos nominais, a redução é de 69,4%. Mas, considerando uma inflação de 209% no período, a queda real é de 90%. Ou seja, no último balanço disponível no site da operadora, seu patrimônio líquido equivalia a um décimo do lançado em 1998.


Rosângela conta que a Sercomtel, desde 2003, vem investindo cerca de R$ 25 milhões por ano. E que nunca buscou recursos externos. A empresa utilizou seu próprio caixa para se financiar. "Se nós não tivéssemos investido, talvez não teríamos a dívida tributária. Mas também não tínhamos a capacidade que temos hoje", ressalta.


Cortes


A nova diretoria da empresa afirma que sua prioridade "número um" é buscar o equilíbrio financeiro da Sercomtel neste ano. Os cortes de R$ 750 mil mensais por diretoria ainda estão sendo definidos.


Questionada sobre eventual necessidade de demitir colaboradores e se acha adequado o tamanho do atual quadro funcional (cerca de 450 empregados), Rosângela de Oliveira diz ser "prematuro" avaliar. Mas arrisca uma avaliação preliminar: "Na iniciativa privada, uma empresa que fatura R$ 230 milhões deveria ter menos funcionários". Segundo Adati, a Sercomtel tem uma dívida estimada em R$ 20 milhões em ações trabalhistas. "São 350 ações", conta.


Marcos Zanutto/Grupo Folha
Marcos Zanutto/Grupo Folha


A segunda prioridade da diretoria é o que Adati chama de equilíbrio psicossocial. Segundo o presidente, os colaboradores estão desanimados. "Não estão acreditando mais na empresa." Ele quer resgatar a "paixão" pela Sercomtel. "Só assim vamos fazer a empresa vender mais", declara.


Expansão


A expansão dos serviços da telefônica será feita, segundo o presidente, por meio de parcerias com outras empresas. Ele afirma estar negociando um projeto com outra operadora, cujo nome não pode revelar. E pretende também realizar parcerias com fornecedores de tecnologia como Ericsson e Nokia.


Uma aproximação maior com a Copel, que detém 45% das ações da Sercomtel, também é a aposta de Adati. Antes de assumir o cargo, dia 17 de janeiro, ele já havia visitado o presidente da companhia de energia elétrica, Luiz Fernando Vianna. E contou com a presença de Vianna em sua posse. As duas empresas pretendem expandir os serviços que oferecem em conjunto para todo o Estado.

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Adati acredita que, com parcerias, não precisará recorrer aos bancos para financiar os investimentos. Por considerá-la utópica, ele engavetou a proposta da diretoria anterior que visava captar R$ 75 milhões por meio de Fundo de Investimento de Direito Fiduciário (FDIC) ou de emissão de debêntures. "Não é fácil trazer esses recursos financeiros", alega.


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