O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse nessa sexta-feira (23) que o risco de recessão global está mais alto hoje, mas que o Brasil está bem preparado para enfrentá-la. "É justo dizer que temos um sólido sistema financeiro. Os países têm hoje uma capacidade menor de reagir. Mas o Brasil está bem preparado", disse Tombini, na 2011 Brazil Economic Conference, promovida pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Washington.
Segundo Tombini, o Banco Central está atento à deterioração do cenário externo. "Temos visto muita volatilidade. Temos instrumentos e estamos prontos para intervir e garantir que o mercado funcione apropriadamente", afirmou o presidente do BC.
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Atuação no mercado à vista
Ontem o diretor de política monetária do Banco Central, Aldo Luiz Mendes, já havia dito à Agência Estado que a instituição atuará no mercado cambial futuro enquanto entender ser necessário. Disse ainda que, se for preciso, o BC também poderá agir com a moeda norte-americana no segmento à vista, ou seja, vendendo dólares no mercado. "O Banco Central vai continuar no mercado futuro enquanto entender que é necessário", disse.
Segundo ele, a decisão de atuar ou não nos negócios é determinada pelas condições de liquidez observada no mercado. "Entramos enquanto acharmos que a liquidez do mercado não é adequada", disse.
Por enquanto, explicou Aldo Luiz Mendes, o Banco Central não encontrou problemas nos negócios do mercado à vista. "Não identificamos liquidez apertada no mercado spot. Mas se encontrarmos liquidez apertada nesse mercado, também podemos agir", disse.
As afirmações do diretor aconteceram horas depois de o BC mostrar suas armas ao mercado ao oferecer mais de 112 mil contratos de swap cambial tradicional - que correspondem à venda de dólares no mercado futuro. A operação anunciada após os primeiros negócios na abertura do mercado na quinta-feira correspondia à oferta de mais de US$ 5,5 bilhões no mercado futuro. Da oferta total, foram vendidos pouco 55 mil contratos em uma operação que alcançou US$ 2,7 bilhões e conseguiu interromper a escalada das cotações.
Nessa sexta-feira, o dólar opera em queda. Às 10h56, a moeda americana é vendida a R$ 1,8700, em baixa de 2,09%.