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Professor e economista

Belluzzo defende recuperação da economia antes de ajuste nas contas públicas

Agência Brasil
22 dez 2015 às 20:27
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O economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo, entrevistado hoje (22) no programa Espaço Público da TV Brasil, defendeu que é preciso recuperar primeiro a economia do país para depois fazer o ajuste nas contas públicas. "Não há jeito, em uma economia capitalista, de fazer ajuste fiscal sem que recuperar a economia", disse na gravação do programa, que vai ao ar hoje, às 23h.

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Belluzzo lembrou que, quando há retração da economia, as receitas do governo caem. Além disso, as empresas deixam de pagar impostos para "se financiar", já esperando o lançamento do programa de recuperação de receitas do governo, com desconto no futuro. "É um processo autodestrutivo. É preciso criar alguma alavanca para a economia se recuperar."


Para ele, a alta do dólar pode ser uma alternativa para o país exportar mais. Entretanto, destacou que é preciso que a economia mundial não tenha retração, para que o câmbio seja uma alavanca para o crescimento.


O economista defendeu a reorganização orçamentária, para que possa permitir o investimento em infraestrutura, em parceria com o setor privado. "Precisa engendrar mecanismo de gasto, seja privado ou publico, para tirar a economia no buraco", disse.


Na avaliação do professor, a discussão sobre a economia brasileira "virou uma disputa futebolística". "Há pouca complexidade na discussão. Você não analisa os processos que conduziram a economia a essa situação", disse. Ele que há risco de recessão na economia mundial, em 2016, devido a "movimentos que estão se acumulando e se casando", como a desaceleração da economia chinesa, o "baixo e frágil" crescimento dos Estados Unidos e a estagnação da economia europeia.

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"A discussão no Brasil ficou muito provinciana porque nós desconhecemos o que está ocorrendo na economia mundial. E o que está ocorrendo não é bom", disse. A crise de 2009 foi um desarranjo na articulação entre Estados Unidos, China e Europa, ressaltou. Para ele, a supremacia dos mercados financeiros é estrutural, não somente no Brasil, mas no resto do mundo.


O economista criticou o aumento da taxa básica de juros, a Selic, "em uma economia que tem o vício da indexação". Na sua opinião, ao aumentar os preços administrados, como da gasolina represado anteriormente e das tarifas de energia, os preços livres também subiram. Também criticou a tentativa do Banco Central de tentar atingir o centro da meta de inflação, de 4,5%, a "qualquer custo". "Quem provocou o desajuste fiscal foi a política monetária [aumento da Selic para conter a inflação]". Com a taxa mais alta, há mais gastos com juros da dívida pública.


Belluzzo disse que o Brasil tem dependência grande de fluxo de capitais que entram no Brasil para obter ganhos com a taxa de juros mais alta do que de outros países.


No programa, o professor e economista, que também foi presidente do Palmeiras, fala sobre investigações do serviço de inteligência norte-americano, o FBI, e sobre crimes ligados ao futebol mundial. Para ele, as investigações "invadem" uma esfera dominada por propinas e interesses relacionados a direitos de transmissão.


Paulista de Bariri, hoje com 73 anos, Belluzzo foi assessor econômico e secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda na década de 1980. Em 2005, recebeu o Prêmio Juca Pato, como Intelectual do Ano. Além de professor titular do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é consultor editorial da revista CartaCapital.


Formado em direito e ciências sociais pela Universidade de São Paulo (USP), é pós-graduado em desenvolvimento econômico pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) e doutor em economia pela Unicamp. É autor, entre outros, do livro "Os antecedentes da tormenta" e "Ensaios sobre o capitalismo no século XX", e coautor de "Depois da queda, luta pela sobrevivência da moeda nacional".

O programa Espaço Público é apresentado pelos jornalistas Paulo Moreira Leite e Florestan Fernandes Júnior.


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