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Fim da 'Era Gates'

Bill Gates deixa Microsoft em meio a fortes turbulências

France Presse
31 dez 1969 às 21:33

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O dia 27 de junho será o último em tempo integral de Bill Gates na Microsoft, companhia que ele fundou há 33 anos e transformou em um império mundial da informática.

Como anunciado desde junho de 2006, Bill Gates permanecerá como presidente de honra do conselho de administração, mas dedicará seu tempo a sua fundação humanitária. Deixará completamente os reinos da Microsoft para seu fiel escudeiro, Steve Ballmer, seu amigo desde os tempos de Harvard, e que em 2000 passou a dirigir o grupo como presidente executivo.

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Mas a aposentadoria de Bill Gates ocorre em um momento delicado para a gigante americana, cujo modelo econômico, os softwares pagos, está fragilizado.


A empresa fracassou ao tentar comprar a Yahoo!, segunda empresa em publicidade na internet, e deve encontrar outros caminhos para se desenvolver nesse setor.


Uma diversificação crucial, porque o futuro é incerto para suas duas principais fontes de ganhos: o sistema operacional Windows, coração de mais de 90% dos computadores do mundo, e os softwares Office (os editores de texto Word, de planilhas Excel, e de apresentações Powerpoint). Esses produtos geram quase todo o seu lucro operacional.


Para o Windows, a versão Vista, lançada no final de 2006, suscitou uma avalanche de críticas e este progride em ritmo lento: a Microsoft vendeu apenas 150 milhões de licenças, pois muitas empresas preferem manter o XP, a versão anterior. Não somente as novidades não convenceram em relação ao Windows XP, mas o Vista se mostrou incompatível com muitos softwares e periféricos.


Paralelamente, os computadores MacIntosh da Apple, única fabricante de microcomputadores a não utilizar os programas da Microsoft, viu suas vendas dispararem há um ano e abocanhou uma fatia de mais de 5% no mercado mundial. Os MacIntosh rodam com um sistema desenvolvido pela própria Apple.


O outro pilar dos ganhos do grupo, seus programas de trabalho Office, enfrentam cada vez mais a concorrência dos produtos gratuitos, como os softwares on-line da Google ou os livres (Star Office, Open Office). Acrescente-se também o software livre de sua concorrente IBM, Lotus Symphony.


A IBM afirma que uma empresa de 20 mil funcionários economizaria 8 milhões de dólares por ano em licenças pagas à Microsoft passando a utilizar o Lotus Symphony.


Pressão


Steve Ballmer se encontra então sob pressão, mais ainda depois dos três últimos meses, com a novela Yahoo!. Vários analistas consideram que a Microsoft terá que aumentar sua oferta para obter a compra, e não renunciar.


A Microsoft havia proposto à Yahoo! em fevereiro 31 dólares por ação (cerca de 44 bilhões de dólares), depois aumentou para 33 dólares/ação (47 bilhões), recusando-se a chegar aos 37 dólares (ou seja, 2 a 4 bilhões a mais) exigidos pelos dirigentes da Yahoo!.

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A Microsoft sofreu uma nova humilhação na semana passada, quando a Yahoo! anunciou uma parceria ampla com a líder mundial da publicidade on-line Google, e pôs fim às negociações com a Microsoft, recusando a oferta de Steve Ballmer de compra unicamente da ferramenta de busca da Yahoo!.


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