O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) confirmou nesta terça-feira, 10, que foi procurado pela American Airlines para abrir um canal de negociação em relação à sua dívida com o banco referente ao financiamento da aquisição de aviões da Embraer nos últimos anos. A informação foi divulgada na edição de hoje do jornal Valor Econômico. A assessoria de imprensa do BNDES informou que o banco foi procurado pela empresa logo após entrar em processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, no final do ano passado, embora ainda não esteja na condição de inadimplente.
O BNDES não deu mais detalhes sobre os financiamentos da American Airlines com o banco, que foram firmados por meio da linha de crédito à exportação BNDES Exim. Nesse tipo de operação, o financiamento do BNDES é feito diretamente com o comprador do bem exportado e funciona como um dos fatores competitivos para o fabricante, que recebe o pagamento à vista do banco. A exportação de aviões são financiáveis pelo BNDES porque são considerados bens de capital e está restrita a aparelhos fabricados no Brasil.
Informações de mercado e fontes do banco confirmam que a American Airlines está em dia com o pagamento de um financiamento de cerca de US$ 3 bilhões, do qual ainda restariam a pagar pouco menos de US$ 1 bilhão. Nesse tipo de financiamento, as parcelas não costumam ser mensais, mas semestrais. Os prazos podem chegar a 12 anos, com remuneração baseada no parâmetro internacional Libor. Embora os problemas da American Airlines aumentem o risco de inadimplência, ainda não há uma preocupação grande no BNDES.
As operações de financiamento de produtos de alto valor como aviões têm como principal garantia os próprios aparelhos. Como a American Airlines já admite reduzir a sua frota para conduzir a sua recuperação, está no âmbito da conversa com o BNDES a entrega de parte das aeronaves compradas com financiamento do banco, que poderia vendê-las para recuperar o valor ainda restante do crédito. Mas uma fonte diz que não há avanço na conversa e que essa até agora é apenas uma das hipóteses que não pode ser afastada.
Outro caminho, recorrente em processos de recuperação judicial, é o reescalonamento dos pagamentos restantes. A American Airlines utiliza essa modalidade de financiamento do BNDES desde 1998, quando começou a adquirir aviões da Embraer para suas rotas de aviação regional operadas por sua controlada American Eagle.
Diferentemente do que faz nas linhas de crédito convencionais, o BNDES não divulga os detalhes das operações da linha Exim por considerar os dados informações estratégicas integrantes do plano de empresas como a Embraer para vencer concorrências internacionais. No setor aeronáutico, por exemplo, o financiamento de agências estatais de exportação por trás de empresas como Boeing e Bombardier está entre os principais fatores críticos para a definição de grandes concorrências internacionais.