O mercado financeiro viveu mais um dia de incertezas nesta quarta-feira (10), com as bolsas subindo e caindo motivadas pelo temor de contágio da crise da dívida soberana nos países da zona do euro e nos Estados Unidos.
Na Europa os índices despencaram. A Bovespa registrou leve alta, de 0,48%.
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Em Nova York, um dia após as bolsas registrarem resultados positivos, o índice Dow Jones fechou em baixa de 2,94%. Já o Nasdaq, índice que reúne as ações de empresas de alta tecnologia, caiu 2,27%.
Na Europa, a turbulência foi pior, após rumores de que a França teria a nota de sua dívida rebaixada, a exemplo do que ocorreu na última semana com os Estados Unidos.
O governo francês e as três grandes agências de classificação de risco - Standard & Poor's, Moody's e Fitch - negaram um iminente rebaixamento, o que não afastou os temores. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, teve de interromper as férias para convocar uma reunião de emergência.
Em Paris, a bolsa encerrou as operações em baixa de 5,45%. Em Londres, houve queda de 3,05%. Frankfurt fechou em baixa de 5,13% e Madri, de 5,49%.
Para o analista e professor do Insper Alexandre Chaia, os resultados negativos dos mercados nesta quarta-feira foram um ataque especulativo.
"A situação de hoje não está pior do que na semana passada. Não houve uma mudança estrutural no mercado que justifique isso. Por que a França estaria pior agora que há três semanas?", questiona.
Bancos
Nesta quarta-feira, os bancos estiveram no centro do furacão financeiro. Na França, as ações do Société Générale foram as mais atingidas, com baixa de 14,47%. Os papéis do Crédite Agricole caíram 11,81%, enquanto os do PNP Paribas fecharam a -9,47%. Bancos britânicos também tiveram forte prejuízo.
O fato de os bancos franceses serem alguns dos maiores credores de países com alto endividamento na zona do euro explica a preocupação dos investidores, segundo analistas.
O editor de economia da BBC News Robert Peston lembra que um eventual rebaixamento na nota da França por agências de risco traria, em consequência, grandes perdas ao setor bancário, um dos maiores detentores de títulos do governo.
Para Armando Castelar, da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, o fato de a França, ao lado da Alemanha, serem os principais fiadores da zona do euro explica o nervosismo nos mercados.
"Há uma transferência de problemas. Do mesmo jeito que se transferiu o problema dos bancos (em 2008) para o setor público (que acabou endividado em 2011), há agora uma transferência dos problemas da periferia da zona do euro (Grécia, Irlanda e Portugal) para os países mais fortes", diz.
Para Chaia, o que se viu nesta quarta-feira "foi um ataque especulativo contra os bancos, porque as pessoas estão achando que está caindo a sustentação das instituições bancárias e estão investindo contra elas".
Segundo o professor do Insper, é pouco provável que os bancos brasileiros, que não são credores de países em crise, sejam contaminados por esse aspecto da atual crise.
Castelar diz, no entanto, "pode haver um alívio no curto prazo, meses de aparente calmaria, mas a crise vai voltar ali na frente, em algum momento".
Castelar e Chaia afirmam que os bancos estão em crise por serem credores de países em dificuldades. Para os analistas, grande parte do problema fiscal dos Estados se deve justamente à ajuda pública ao setor bancário na crise de 2008, quando muitos viam riscos de um total colapso do sistema financeiro americano.
Dívida
Na Europa, o grande temor é de que a crise da dívida soberana de se espalhe pela zona do euro.
A crise já atingiu Grécia, Portugal e Irlanda (países que receberam ajuda financeira), e os investidores temem que a turbulência chegue à Itália e à Espanha, onde o custo da dívida pública também aumentou na última semana.
No domingo, o Banco Central Europeu anunciou que irá comprar títulos espanhóis e italianos para deter a crise na zona do euro.
O alto endividamento público também é uma preocupação em relação aos Estados Unidos. Na última sexta-feira, a agência Standard & Poor's rebaixou a nota da dívida dos Estados Unidos de "AAA" para "AA+", um dos motivos do mau humor nos mercados nesta semana.
Além da política fiscal, preocupa a lenta recuperação da economia americana. Nesta quarta-feira, o Federal Reserve (banco central americano) divulgou uma ata dizendo que o "crescimento econômico até o momento tem sido mais lento que o esperado".