O dado de vendas no varejo dos Estados Unidos pior que o esperado, divulgado antes da abertura dos negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), esfriou os ânimos dos investidores e empurrou os índices futuros das Bolsas de Nova York para o terreno negativo. As principais bolsas europeias também devolvem os ganhos do começo do dia.
Por volta das 10h10 (de Brasília), o índice Bovespa caía 0,19%, a 45.904 pontos, após ceder 0,51%, a 45.759 pontos, na mínima do dia até o momento. No mesmo horário, em Wall Street, os índices futuros do Nasdaq 100 e do S&P 500 perdiam 0,53% e 0,98%, respectivamente, enquanto na Europa, os mercados operavam sem direção definida.
Na agenda de indicadores econômicos norte-americanos, contrariando as previsões de crescimento de 0,3%, as vendas no varejo dos EUA caíram 1,1% em março. A inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) também surpreendeu, ao registrar a maior queda do ano, de 1,2% em março ante fevereiro, quando o esperado era deflação de apenas 0,02%.
Diante desses números inesperados nos EUA, a Bovespa deve experimentar um movimento de realização de lucros por parte dos investidores, para embolsar os ganhos recentes, após três pregões seguidos de alta até ontem. Portanto, uma correção de preços hoje na Bovespa hoje é vista com naturalidade. Afinal, só neste mês de abril, o Ibovespa já subiu 12% e no ano esse ganho chega a 22%.
Porém, o movimento pode ser interrompido se o fluxo de compras de investidores estrangeiros se mantiver forte, como vem ocorrendo nos últimos dias, ou se o humor externo mudar.
O que poderia alterar esse tom negativo no exterior são os balanços financeiro e, talvez, o pronunciamento do presidente dos EUA, Barack Obama, que prometeu um "grande discurso" sobre a economia hoje, a partir das 12h30 (de Brasília).
Segundo analistas, os dados econômicos anunciados hoje ofuscam um pouco o balanço melhor que o esperado antecipado ontem à noite pelo Goldman Sachs. O banco norte-americano informou um lucro líquido acima do esperado, de US$ 1,81 bilhão, ao mesmo tempo em que anunciou uma oferta pública de ações para levantar US$ 5 bilhões.