Um pacote para a compra de ativos tóxicos - investimentos lastreados por hipotecas problemáticas e outros ativos de risco - nos Estados Unidos animou as bolsas no mundo todo. O índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas na bolsa de Nova York - fechou em alta de 6,84%. É a maior alta desde 28 de outubro do ano passado. O índice S&P 500 subiu 7,07%, a maior valorização desde 16 de fevereiro deste ano. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo acompanhou o otimismo e encerrou o dia aos 42.438 pontos, em alta de 5,89%. É a segunda maior alta do ano.
O Departamento do Tesouro americano divulgou nesta segunda-feira, 23, uma parceria Público-Privada que tem como ambição limpar até US$ 1 trilhão em ativos problemáticos dos balanços de bancos, que estão bloqueando empréstimos e agravando a recessão. Chamada de Programa de Investimento Público-Privado, a proposta prevê que Tesouro, Federal Reserve e Corporação Federal de Seguro de Depósito (FDIC) trabalhem em conjunto com investidores privados para tentar reiniciar o mercado para esses ativos problemáticos. Para incentivar o setor privado a participar do programa, o FDIC dará garantia à maior parte do financiamento para a compra dos ativos.
Como os bancos são os beneficiários do plano, as ações do Citigroup e do Bank of America se destacaram. Ambas as instituições detêm o maior número de ativos problemáticos, alvos do plano. O Bank of America fechou com ganho de 26,01%, o Citigroup, de 19,47% e o JPMorgan, de 24,67%. Entre as seguradoras, a American International Group (AIG) avançou 17,46%. A Amex avançou 18,76%. Também no mercado de câmbio, houve reações. No Brasil, o dólar no mercado à vista encerrou em queda de 0,84%, cotado a R$ 2,2450 - menor valor desde o dia 9 de fevereiro deste ano (de R$ 2,237).
Pacote
O secretário do Tesouro, Timoty Geithner, disse que a criação de parcerias público-privadas para adquirir ativos tóxicos de bancos pode ajudar a evitar uma recessão mais longa e profunda e facilitar a obtenção de capital privado pelos bancos. Mas o governo não poderia assumir sozinho a responsabilidade de fazer com que os mercados de crédito funcionem apropriadamente. "Para o funcionamento desses programas, os investidores têm que estar preparados para assumir algum risco", acrescentou o secretário que tem sido criticado por seu desempenho diante da crise econômica e por uma série de bônus distribuídos no setor financeiro dos EUA.