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Entrevista a jornal

Brasil foi último 'almoço grátis' de bancos, diz Dilma

BBC Brasil
03 out 2012 às 14:08

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A presidente Dilma Rousseff disse em entrevista publicada nesta quarta-feira por um jornal britânico que o Brasil foi o último "almoço grátis" no mundo para os bancos internacionais, e que o futuro brasileiro está em atividades produtivas que "fazem bem ao país".

Em entrevista concedida ao jornal econômico Financial Times, Dilma fez referência à queda da taxa de juros durante o seu governo, que diminuiu a rentabilidade dos bancos que operam no Brasil e incentivou setores produtivos como a indústria.

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A entrevista, assinada pelo correspondente do jornal em São Paulo, Joe Leahy, diz: "O Brasil foi o último almoço grátis no mundo para os bancos, afirma ela [Dilma], em referência aos altos juros que eles cobram aqui de seus clientes."


Dilma disse ao jornal: "Nós estamos voltando a um patamar com níveis normais de lucratividade. Isso significa que alguns de nós terão de começar a buscar lucros adequados em atividades produtivas que são boas para o país."



Energia, aeroportos e pobreza


O texto do jornal – intitulado "Nós queremos um Brasil de classe média, diz Dilma" – lembra que a presidente tem se empenhado neste ano a reduzir os juros cobrados por bancos. A entrevista coincide com o lançamento da versão impressa do Financial Times, em inglês, em algumas cidades brasileiras.


A reportagem – que mistura trechos da entrevista de Dilma ao jornal com análises de economistas e cientistas políticos brasileiros e impressões do autor do texto – faz um balanço das medidas econômicas tomadas pela presidente neste ano.


Entre as medidas destacadas pelo jornal, está a redução da tarifa de energia cobrada pelas companhias brasileiras – que exigiu um esforço de negociação do governo e uma renúncia fiscal a impostos federais.


"Isso é muito importante porque precisamos reduzir os custos [de se produzir no Brasil]", disse Dilma ao jornal. O Financial Times diz que o resultado da medida foi energia mais barata em até 16% para consumidores e 28% para indústrias.


O jornal também lembra que Dilma colocou três grandes aeroportos brasileiros – de Guarulhos, Viracopos e Brasília – sob administração de operadores privados, uma medida considerada "crucial" para a preparação do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.


"Nós queremos parceiros do setor privado de qualquer origem", disse Dilma ao jornal.


A presidente também falou ao Financial Times sobre a redução no nível de pobreza durante os dez anos de gestão do PT da Presidência da República.


"Isso, eu acho, é um ganho muito importante para o Brasil – ou seja, transformar o Brasil em uma população de classe média. Nós queremos isso; nós queremos um Brasil de classe média", afirmou a presidente ao jornal.


No artigo, o Financial Times diz que o Brasil teve "progresso notável" nos últimos anos, mas alerta que economia está "lentamente desacelerando ao ponto de rastejar".

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"Rousseff precisa achar um novo modelo de desenvolvimento. Em um mundo afetado por crise econômica, a questão é se ela conseguirá implementar as mudanças necessárias para dar uma arrancada em uma segunda década de crescimento", escreve o autor da reportagem. "Isso inclui enfrentar os problemas espinhosos de falta de competitividade e altos custos de trabalho do Brasil."


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