Pesquisar

ANUNCIE

Sua marca no Bonde

Canais

Serviços

Mea culpa

Collor admite que bloqueio da poupança foi um erro

Agência Brasil
31 dez 1969 às 21:33

Compartilhar notícia

Marcello Casal Jr/ABr
siga o Bonde no Google News!

O ex-presidente da República e atual senador Fernando Collor (PTB-AL) reconheceu hoje (18) que o bloqueio do dinheiro das cadernetas de poupança, adotado por ele em 1990 a pretexto de conter inflação, foi um equívoco e que "tropeços aconteceram" quando esteve na Presidência. As revelações foram feitas durante a gravação do Programa 3 a 1, da TV Brasil, que vai ao ar hoje às 22h.

"Naquela época, querendo fazer os ajustes de forma rápida, equivoquei-me. Certamente, eu não teria adotado um programa econômico que causasse tanto desassossego", disse. "Se tivesse outra chance, não teria bloqueado a poupança de pessoas físicas e jurídicas." Collor se recusou a classificar a medida como confisco. "A meu ver o que fizemos foi bloqueio [da poupança]", argumentou.


O ex-presidente admitiu ainda ter cometido outros "erros cruciais e fatais". Entre eles, citou "a falta de diálogo com a classe política e com [políticos e empresários de] São Paulo".


Sobre o processo que o levou ao impeachment em 1992, Collor acredita que não o teria sofrido caso tivesse mantido uma boa relação com o Congresso Nacional, e que todo o processo a que ele foi submetido teve início no pedido dele à Procuradoria Geral da República para que abrisse todos os processos e investigações que fossem necessários para o caso.


Ele disse acreditar que "um presidente eleito com a força do voto direto teria naturalmente o apoio da casa legislativa, que ficaria no aguardo das medidas, tendendo a apoiá-la". Segundo Collor, sua preocupação estava em consolidar uma base de sustentação naquele primeiro momento do governo, o que não se concretizou. "A CPMI [Comissão Parlamentar Mista de Inquérito] não teria prosperado caso houvesse base de sustentação no Legislativo."


Collor afirmou que não teve como se defender naquele momento: "Os direito de defesa me foram cerceados em todos os momentos, e todos os prazos foram antecipados de forma brutal. Tanto o regimento do Congresso Nacional quanto a própria constituição. Ar lei do impeachment sequer havia sido regulamentada. O que havia era uma uma lei recuperada da constituição em 1950".


A extinção do Serviço Nacional de Informações (SNI) teria, segundo Collor, complicado ainda mais a situação. "Eu não sabia exatamente o que acontecia porque havia extinguido o SNI e não havia tido tempo de substitui por uma assessoria de inteligência para a Presidência da República nos moldes em que acho que deveria ser, que é de política e de captar as correntes de opinião no Congresso em relação a políticas externas, geopolítica."


Hoje no comando da Comissão de Infra-estrutura do Senado, Collor disse que pretende atuar de forma a auxiliar a ministra Dilma Rousseff para que o Programa de Aceleração (PAC) do governo federal avance rapidamente e as obras sejam concluídas.


Ele disse ter simpatia pessoal por Dilma e que uma eventual candidatura dela à Presidência da República teria também a sua simpatia. "O momento é de o Brasil ter a união de todos para avançar nos próximos dois anos."


"Sou entusiasta do PAC, aliado do presidente Lula e faço parte de sua base de sustentação", garantiu. "Sempre exaltei o projeto e ele precisa continuar avançando. Desde Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek não tivemos um governo que assumisse uma postura de indutor do desenvolvimento", completou.


Os excessos cometidos durante a campanha eleitoral de 1989 foram, segundo Collor, motivo para o pedido de desculpas apresentado por ele a Lula e ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Cadastre-se em nossa newsletter

Outro ponto defendido pelo ex-presidente foi a reforma política. Segundo ele, as regras do jogo político apresenta deficiência e precisamos mudá-las. "Não só apenas na legislação eleitoral ou partidária, mas na forma institucional. O financiamento público de campanha não pode acontecer sem que haja o fim das coligações nas eleições proporcionais. E não se pode falar em financiamento público de campanha sem que se fale no voto de lista fechada", disse.


Últimas notícias

LONDRINA Previsão do Tempo

Portais

Anuncie

Outras empresas