Com a alta de 2011, o ouro caminha para completar seu 11º ano consecutivo de valorização. A crise, que no próximo mês completa três anos, só acelerou a corrida pela compra do metal, o que fez a cotação mais que dobrar no período. Em agosto de 2008, a onça-troy valia US$ 831, cotação que subiu 121% para os atuais US$ 1835 no início do pregão desta quarta-feira.
"É o maior período de alta consecutiva de qualquer ativo na história – Bovespa, Bolsa de Nova York, qualquer ativo. Só vimos algo parecido na década de 1920", comenta Edson Magalhães, gerente de negócios da Reserva Metais, join venture dos grupos Fitta e Marsam.
O ciclo de alta teve início em 2001, quando o metal valia US$ 266. Nos últimos três anos, com o agravamento da crise, a tendência ganhou força. Só em 2011, a valorização é de quase 30%. O fato é que, com o aumento da preocupação com o pagamento de títulos públicos de países antes estáveis, como EUA e nações da zona do euro, o ouro reforçou sua posição de ativo sem risco. "Investidores passaram a buscar mais segurança e o ouro é reconhecido como o porto seguro das aplicações."
Os títulos americanos, que também eram vistos como ativo sem risco, foram rebaixados pela agência de classificação Standard & Poor’s no mês passado. A medida não afugentou os investidores desses papeis, que chegaram a pagar os menores juros da história com o aumento da demanda. Contudo, parte dos investidores que buscavam segurança nesses títulos migraram para o mercado de ouro.
"Como o mercado de metais é pequeno, esse movimento dos investidores já causou uma grande valorização nos últimos três meses", explica o especialista. "O ouro concorre diretamente com títulos públicos dos países considerados seguros. Como o prêmio oferecido nos títulos está baixo – e até negativo em alguns casos por causa da inflação – o ouro fica ainda mais atrativo", diz.
Ele conta que os contratos futuros do metal movimentam US$ 47 bilhões ao dia em Nova York, valor baixo se comparado a outros mercados, mas já apresenta crescimento em função da crise, pois instituições financeiras passaram a atuar mais ativamente. "Há ofertas todos os dias, para diversos preços. Às vezes, não no preço que o investidor gostaria, mas tem mercado."