Em 2009, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Paraná (SRTE/PR) registrou 102 denúncias de casos discriminatórios dentro do ambiente de trabalho. Destas, 46 eram denúncias relativas ao assédio moral.
Segundo o superintendente do Trabalho e Emprego no Paraná, Alvyr Pereira de Lima Junior, conforme dados da Comissão de Igualdade, de Oportunidade, de Gênero, de Raça e Etnia, de Pessoas com Deficiência e de Combate à Discriminação, 54% dos assediados são mulheres entre 18 e 24 anos e que possuem o ensino médio completo.
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De acordo com o presidente da Comissão, Antonio Bras da Silva, as vítimas que nos procuram, na maioria das vezes, são gestantes inseguras com a manutenção de seus empregos, pois são pressionadas pelo empregador a pedirem demissão. Segundo ele, a Comissão já atendeu um trabalhador que chegou à Superintendência desesperado, totalmente abalado, porque a empresa que trabalhava há mais de quatro anos chamou a polícia quando ele cobrou por seus 12 dias de vales-transporte atrasados.
"No dia da denúncia, o trabalhador chegou atrasado ao serviço porque não tinha dinheiro para a condução, mas, chegando ao local, a sua entrada foi barrada pelo segurança – que estava obedecendo ordens diretas da chefia", conta Antonio Bras. Foi então que o trabalhador cobrou os vales em atraso e os empregadores chamaram a polícia, que conduziu o trabalhador até a Delegacia. "Nesse caso, a Comissão orientou o trabalhador de seus direitos, inclusive da necessidade de levar o caso ao sindicato que o representa. Além disso, a Comissão também encaminhou o caso ao Ministério Público do Trabalho", destaca o presidente da comissão.
A mediadora Inês Fappi Cavassin, conforme relatos e diagnósticos que verifica durante o dia a dia, afirma que o primeiro passo dos "assediadores" é abalar o psicológico de sua vítima, para que ela se distancie dos colegas de trabalho, afetando não somente sua relação profissional, mas também a familiar, gerando medo, insegurança e instabilidade emocional. "A maioria das vítimas que sofreram alguma forma de assédio moral no trabalho e que vieram até a Superintendência, já está em tratamento psiquiátrico ou tomando remédios para a depressão - devido aos atos constantes de discriminação e por registrarem níveis altos de estresse laboral", relata a mediadora.