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Crise derruba a renda das classes A e B em 8,7%

Agência Estado
28 jun 2009 às 08:34
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A crise econômica global atingiu em cheio o bolso dos brasileiros mais ricos. De janeiro a abril, a renda média das pessoas das classes A e B nas seis principais regiões metropolitanas caiu 8,7% em termos reais, ante igual período de 2008, saindo de R$ 2.637 para R$ 2.407. Em 2008, a renda das classes A e B já havia caído 7,01%, ante 2007. Na visão do economista Marcelo Neri, que calculou estes números, a queda em 2008 deve ter sido influenciada pelos meses após a crise global, iniciada em setembro.

A boa notícia, nesse levantamento feito por Neri, que chefia o Centro de Política Social (CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é que a classe C, muito atingida em janeiro, se recuperou. Um estudo anterior de Neri mostrava que, apenas em janeiro, a classe C tinha perdido, para as classes D e E, 11% de todo o seu crescimento em tamanho no governo Lula.

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Os novos números fazem parte de um estudo de natureza diferente, que revela o salário médio por classe, e não o tamanho de cada uma. O trabalho mostra que a renda média das pessoas de classe C cresceu 3,9% de janeiro a abril deste ano, comparada com os mesmos meses de 2008, subindo de R$ 625 para R$ 649. Em 2008, já havia aumentado 6,12%. Coerentemente com esse resultado, a classe C já representava, na última semana de abril, 53,6% da população das seis regiões metropolitanas, depois de ter caído de 53,81% para 52,64% apenas em janeiro.

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O cálculo do novo estudo de Neri também toma por base a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), feita nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Recife.

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Para o economista, uma das principais razões pelas quais a turbulência está atingindo mais fortemente os mais ricos são as próprias características da crise global. Ela se iniciou no sistema financeiro dos países ricos e depois se transmitiu ao setor real dessas economias centrais. No Brasil, a transmissão ocorreu, num primeiro momento, no próprio sistema financeiro, e em seguida nos segmentos da nossa economia que transacionam com o mundo desenvolvido, onde está situado o verdadeiro centro da crise.


Neri explica que o setor exportador tende a ser o mais moderno da economia e, por isso, tem em geral pessoas com rendimentos mais altos do que a média, que acabaram sendo as mais afetadas pela crise. ''Na Belíndia brasileira, quem transaciona com o exterior são os belgas'', ele diz, fazendo referência à expressão cunhada pelo economista Edmar Bacha, que divide o Brasil entre uma parte moderna (Bélgica) e uma atrasada (Índia - o termo foi criado antes da decolagem recente deste país).

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O diretor do CPS tem outros indicadores, que mostram que a crise afetou mais os empregados nos setores industrial e financeiro do que a média dos trabalhadores. A indústria, aliás, sofreu um impacto muito forte da redução das exportações, responsáveis por cerca de metade da queda da produção industrial a partir de setembro, segundo estudo recente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


Neri fez um cálculo sobre a probabilidade de os trabalhadores caírem de classe social em dois períodos da crise - de setembro a dezembro de 2008 e em janeiro e fevereiro de 2009. Para o grupo de trabalhadores como um todo, essa probabilidade cresceu de 1,9% para 11,4% entre os dois períodos, atestando o agravamento da crise.

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Em seguida, ele estimou o quanto maior (caso de fato fosse) era a probabilidade de alguém empregado na indústria ou no setor financeiro cair de classe social, quando comparada com o risco dos trabalhadores como um todo. De setembro a dezembro, a probabilidade no setor financeiro era 8,5% maior do que a da média dos trabalhadores, o que saltou para 13,6% em janeiro e fevereiro.


Na indústria, as possibilidades de cair de classe eram 2,7% maiores do que a dos trabalhadores como um todo de setembro a dezembro, e 4% maiores nos dois primeiros meses de 2009.

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''Isso mostra que esses dois setores, que têm trabalhadores com renda média mais alta, foram mais afetados pela crise'', diz Néri.


Já a classe C, para o economista, pode ter sido protegida de um impacto maior por algumas medidas do governo, como o aumento do salário mínimo. Num lar de classe C, não é incomum que algum adulto ganhe um salário mínimo, ou que os seus rendimentos tenham algum grau de indexação ao salário mínimo, nota Néri.

Na sua classificação, a renda familiar total da classe C vai de R$ 1.115 a R$ 4.807, e a das classes A e B começa em R$ 4.807 e vai até o topo da pirâmide.


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