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Crise favorecerá o controle da inflação em 2009

31 dez 1969 às 21:33

A desaceleração da demanda no mercado interno brasileiro contribuirá para manter sob controle a inflação em 2009. Esta foi uma das conclusões anunciadas nesta quinta (18) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), durante o lançamento da Carta de Conjuntura – publicação que apresenta pesquisas e análises do órgão sobre as economias mundial e brasileira.

"De uma forma geral, a gente pode dizer que a economia brasileira já vem sofrendo os impactos da crise internacional. O nível de atividade vem caindo e, assim como a produção industrial, as vendas já estão desacelerando. As exportações e as importações também vêm sendo afetadas nos últimos dois meses, sobretudo pela queda dos preços internacionais", afirmou o coordenador do Grupo de Análise e Projeções do Ipea, Marcelo Nonnenberg.


Nonnenberg acrescentou, no entanto, que os efeitos da crise no Brasil ainda são mínimos."Esses efeitos ainda são relativamente pequenos, uma vez que o emprego continua crescendo, apesar de haver diversas notícias relatando aumento de férias coletivas e algumas demissões pontuais", disse.


O emprego, segundo dados da pesquisa, apresenta indicadores bastante favoráveis, com a população ocupada aumentando e a taxa de desemprego caindo.


"Em outubro, a taxa de desocupação foi de 7,5%, situando-se 1,2 ponto percentual abaixo do observado no mesmo mês do ano anterior. No entanto a gente não sabe até quando isso vai durar. Possivelmente a retração da produção e das vendas e os impactos no consumo acabarão tendo algum impacto negativo sobre o emprego", informou Nonnenberg.


Por enquanto, a crise também não está afetando as finanças públicas. Segundo o coordenador do Ipea, as receitas continuam crescendo em ritmo bastante elevado. Dados até outubro indicam crescimento da ordem de 10% em termos reais para as receitas tributárias. "Apesar do aumento das despesas nominais, as despesas correntes, como proporção do PIB, permanecem caindo ligeiramente, bem como a dívida interna e os gastos com juros. Dessa forma, tanto o superavit primário do setor público quanto o déficit nominal apresentaram resultados favoráveis", explicou.


Sobre a inflação, a pesquisa revelou que o principal aspecto detectado foi a redução dos preços dos alimentos. "Eles contribuíram favoravelmente para a manutenção da inflação num nível um pouco mais baixo ao longo dos últimos meses. Não há nenhuma indicação de que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ultrapasse os 6,5%.

A expectativa do Ipea para 2009 é a de um crescimento menor do que o observado neste ano, "mas ainda é cedo para visualizarmos de quanto será essa desaceleração. Sobretudo porque ainda não sabemos como vai ser o segundo semestre de 2009 nos Estados Unidos e na Europa", disse o coordenador.


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