O momento exige cautela. A crise financeira chegou na principal economia mundial - a dos Estados Unidos - apavorando o mercado de capitais e fazendo despencar as bolsas de valores do mundo todo. Ações em queda, dólar em alta, aumento da taxa de juros e inflação crescente. Diante deste cenário e sem qualquer previsão futura, uma vez que os especialistas não se arriscam a dimensionar a crise, há dúvidas sobre o que fazer com o dinheiro e como definir investimentos. As alternativas são diferentes para cada investidor, mas uma das unanimidades é que investimentos feitos neste momento devem ser pensados a longo prazo.
''Quem já tem investimentos não deve mexer. O momento, agora, é assistir o desenrolar da crise sem promover grandes modificações (nos investimentos) até que tudo fique claro'', afirma Ary Armando Perez Júnior, da Quanti Investimentos, empresa privada de consultoria do mercado de capitais. A avaliação é que os investidores de bolsas de valores não vão perder dinheiro se apenas assistirem os acontecimentos e aguardarem alguma definição. Para o economista Azenil Staviski, professor da UEL e da PUC, o momento também não é de vender ações. ''Se a pessoa vende agora, dependendo de quando entrou no mercado, pode até realizar prejuízo. Quem investiu em ações e investiu sem pressa, a médio prazo, deve aguardar'', recomenda.
O momento de comprar papéis de empresas é quando há queda, mas todo movimento agora deve ser bem planejado e executado visando retorno para longo prazo (acima de três anos). A orientação sempre é por investimentos em empresas sólidas. Segundo Ary Perez Júnior quem já é investidor e tem papéis de uma determinada empresas deve continuar investindo. ''Por exemplo, se uma pessoa já tinha ações de um banco e agora está mais barato, compre mais. Mas, neste momento, os investidores não devem se guiar por índices diários; a ação é como um cupom de participação de uma empresa'', explica. Na sua avaliação, neste momento, a opção deve recair sobre setores de infra-estrutura como transportes, logística e energia elétrica.
A dica do economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, Alex Agostini, é o investidor avaliar quando vai precisar do dinheiro: a curto ou longo prazo. Ele avalia que a bolsa de valores vai voltar a valorizar e, por isso, o seu conselho para quem precisar de dinheiro em um ou dois meses é fazer o resgate logo após os papéis apresentarem uma recuperação. O economista explica que o investidor que pensa na bolsa em longo prazo deve manter o dinheiro até para conseguir recuperação das perdas. ''A expectativa é recuperar a valorização daqui seis meses'', prevê.
Para o economista Azenil Staviski, o mercado está mais favorável para títulos de renda fixa pós-fixada. ''Neste caso os juros não são determinados, são flutuantes. Como a taxa de juros está subindo, os investimentos pós-fixados têm alguns indexadores'', avalia. Outra opção seria também comprar títulos públicos. E mais uma vez há a ressalva: todo tipo de investimento não deve ser feito a curto prazo porque é cobrada tributação - como o Imposto de Renda - sobre a remuneração. A alíquota é decrescente, variando de 22% a 15%.