Notícias

Crise nasceu do modelo de bancos centrais

31 dez 1969 às 21:33

O jornalista, sociólogo e cientista político mexicano Lorenzo Carrasco, afirmou durante sua apresentação, nesta terça-feira (9), no seminário internacional Crise - Rumos e Verdades, que a convulsão financeira atual decorre do próprio modelo de bancos centrais, especialmente a partir da criação, em 1913, do Federal Reserve System, nos Estados Unidos. "Todo sistema de bancos centrais fracassou, aí está o problema. Com as mudanças geopolíticas que virão, quem vai continuar a conduzir o crédito na organização mundial, serão os mesmos?", questionou.

Carrasco sugeriu que os Estados resgatem do sistema bancário privado a prerrogativa de emissão primária de crédito, para fomentar a geração de empregos e ativar a economia. Nessa situação, o sociólogo imagina que a maioria dos contratos de derivativos deveriam ser cancelados e tornados ilegais. Derivativos são instrumentos financeiros, derivados de um ativo real. Há hoje derivativos de ativos como ações, commodities (produtos agrícolas, minerais etc.), câmbio, juros e mais uma série de instrumentos mais "sofisticados" criados pelo mercado. Assim, se definem pagamentos futuros baseados no comportamento dos preços de um ativo de grande negociação no mercado.


A essência dos derivativos consiste na fixação do valor futuro dos ativos em uma determinada negociação e sua finalidade inicial é a de ser uma ferramenta de hedge tanto para quem está comprando, como para quem está vendendo, de acordo com o caso. Um produtor de soja quando vai iniciar seu plantio não sabe em que patamar de preço estará o produto na época da colheita, muitas vezes o preço da soja cai nesse período e o valor auferido com a venda da colheita é até insuficiente para cobrir seus custos.


Carrasco resgatou as idéias do francês Jean-Baptiste Colbert (1619-1683), como exemplo de contraposição ao sistema de crédito baseado na iniciativa privada. "Ele defendia que o regime de crédito deve ser a função principal do Estado. Isso não é marxismo, é justamente a resposta a uma sociedade hegemônica de cunho colonialista", afirmou.

A ruptura dos acordos de Bretton Woods, em 1971, que levaram à desregulamentação do sistema financeiro internacional e seu crescente descolamento dos setores produtivos, agravou os problemas econômicos. "O que estamos vendo é uma sucessão de bolhas financeiras - dos petrodólares, dívida externa, junk bonds, imóveis (Japão), internet, imóveis (subprime-EUA) e a mãe de todas as bolhas, os derivativos", lembrou. Como resposta a esse processo, o sociólogo propôs, concretamente, a centralização do câmbio, controle do fluxo de capitais e a proteção das cadeias produtivas nacionais essenciais para o consumo, o emprego e a produção.


Continue lendo