Pesquisar

ANUNCIE

Sua marca no Bonde

Canais

Serviços

Publicidade
Tensão

Crise no Paraguai esvazia comércio na fronteira

BBC Brasil
25 jun 2012 às 08:41

Compartilhar notícia

siga o Bonde no Google News!

A crise política que sucedeu a destituição do presidente paraguaio Fernando Lugo na sexta-feira, 22, provocando ameaças de sanções ao Paraguai por nações vizinhas, já gera impactos na fronteira do país com o Brasil.

Em Ciudad del Este, polo comercial que atrai milhares de compradores brasileiros diariamente, ao menos dez lojistas consultados pela BBC Brasil calculam que houve queda de até 50% nas vendas neste fim de semana. Eles atribuem o fraco movimento, entre outros motivos, aos rumores de que o Brasil poderia fechar a fronteira com o Paraguai em resposta ao impeachment relâmpago de Lugo.

Receba nossas notícias NO CELULAR

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.
Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.


O governo brasileiro, que considerou a destituição do presidente um "rito sumário" sem direito adequado de defesa, anunciou que sanções ao Paraguai por eventual quebra de compromisso com a democracia (previstas em acordos regionais) estão sendo avaliadas pelos membros do Mercosul e da Unasul.


Questionado neste domingo pela se as medidas poderiam incluir o fechamento de fronteiras, o Itamaraty afirmou que a ação está prevista em protocolos multilaterais e que ela está sob discussão, mas que até o momento não há definição sobre o assunto. Atualmente, o trânsito de pessoas entre Brasil e Paraguai ocorre livremente pela ponte da Amizade, sobre o rio Paraná.


Corredores vazios


Os rumores, no entanto, bastaram para que muitos brasileiros adiassem os planos de fazer compras no país vizinho. No shopping Corazón, o mais moderno de Ciudad del Este, a clientela era tão escassa que vendedores saíam para os corredores para conversar com colegas de lojas vizinhas. "Estamos todos muito preocupados", diz, sentada ao sofá, a vendedora paraguaia Luz Ruiz. "Para Ciudad del Este, fechar a fronteira seria a morte".


Segundo Ruiz, que trabalha numa loja de lingeries, no sábado pós-impeachment os clientes só apareceram depois das 20h. No dia seguinte, diz ela, o movimento continuava bem abaixo do normal. "Como os domingos costumam ser mais fracos, só saberemos do impacto real durante a semana".


Ao seu lado, a vendedora brasileira Marta de Paula, que mora em Foz do Iguaçu (PR), mas cruza a fronteira diariamente para trabalhar em Ciudad del Este, teme perder o emprego caso a divisa seja fechada. "Muitos brasileiros que trabalham em Ciudad del Este e paraguaios que trabalham em Foz seriam afetados", diz. "O desemprego nas duas cidades explodiria".


Além disso, ela afirma que, assim como os brasileiros se abastecem de perfumes, brinquedos e eletrônicos no Paraguai, os paraguaios compram do Brasil máquinas agrícolas e automóveis, gerando receita para o país.


As duas disseram crer, porém, que o Brasil não levará a cabo qualquer ação que possa prejudicar brasileiros. "Não faria sentido, eu acredito no bom senso dos governantes", diz Ruiz.


Nem todos os vendedores, porém, consideram a crise política a principal razão para o fraco movimento. Segundo Mercedes Capdevilla, vendedora de uma loja de eletrônicos, nas últimas semanas o Brasil aumentou o controle na fronteira, para fazer valer o limite de US$ 300 (R$ 600) em compras por pessoa. Quem excede o valor deve pagar multa.


A atitude, diz ela, tem prejudicado o comércio. "Quando voltar ao procedimento antigo, as vendas vão subir de novo".


'Presa no Paraguai'


Num dos raros grupos de turistas brasileiros que passeavam pelo shopping, a fotógrafa Soraya Reichert diz que teve de convencer uma tia de que não correriam riscos se cruzassem a fronteira.


"Ela estava com medo de ficar presa no Paraguai, sem conseguir voltar para Foz", diz ela. "Acho que se forem mesmo fechar a fronteira, vão avisar com antecedência, para evitar o caos".


Assim como os comerciantes, porém, ela espera que o governo brasileiro não tome essa decisão. "Foz do Iguaçu depende tanto daqui quanto eles dependem de nós".

Cadastre-se em nossa newsletter

Reichert diz que muitos brasileiros de Foz têm negócios na cidade vizinha, como empresas de aluguel de veículos, lojas e construtoras. Ela afirma ainda que o bloqueio da fronteira seria um terrível golpe para o turismo que sustenta a cidade paranaense. Isso porque, segundo a fotógrafa, boa parte dos viajantes de várias regiões do Brasil que se hospedam em Foz o fazem para realizar compras no Paraguai. "As duas regiões estão tão conectadas que qualquer ruptura seria uma catástrofe, e para os dois lados."


Últimas notícias

LONDRINA Previsão do Tempo

Portais

Anuncie

Outras empresas