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De olho na Copa, importadores miram vinho do Brasil

BBC Brasil
17 ago 2013 às 07:57

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Compradores de vinho da Grã-Bretanha estão mirando nos produtores brasileiros de olho nas oportunidades de negócio que a Copa do Mundo e as Olimpíadas podem trazer.

Há pelo menos dez anos vem crescendo o interesse pelos vinhos do Brasil, mas com a atenção que o país atrai por causa do Mundial e dos jogos de 2016, importadoras britânicas consideram que agora ficou mais fácil introduzir a bebida no mercado e apostam que o vinho vá cair no gosto dos locais.

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"O Brasil foi uma escolha óbvia para nós", diz à BBC Brasil Rachel Archer, gerente da seção "I heart" (Eu amo, em tradução livre), da Copestick Murray, uma das importadoras britânicas.


A empresa vai produzir, em parceria com a brasileira Vinícola Aurora, dois vinhos com um blend (mistura de uvas) pensado especialmente para o mercado britânico, com lançamento previsto para antes do Natal ou início do ano que vem.


A Copestick Murray espera produzir ao menos 300 mil garrafas de espumante moscato branco e rosé, que serão vendidas nas principais redes de supermercados do país, como Waitrose, Sainsbury’s e Tesco.


"A melhora na qualidade do vinho nos últimos anos, combinada à oportunidade de negócios com a Copa e as Olimpíadas, colocou o vinho brasileiro na nossa lista de prioridades", acrescentou Archer.


A gigante britânica do setor de departamentos Marks & Spencer também anunciou que vai adicionar a partir de fevereiro três rótulos aos dois atuais da vinícola gaúcha Seival Estate. Em maio, a importadora Bibendum fechou com a vinícola Miolo, também do Rio Grande do Sul, uma parceria para ser sua distribuidora exclusiva na Grã-Bretanha.


E a rede de supermercados Waitrose, a primeira a estocar vinho brasileiro no país, lançará no início do ano que vem quatro vinhos de três vinícolas brasileiras que ficarão à venda por pelo menos um ano.


Maior importador mundial


Com compras anuais de mais de 1 bilhão de garrafas, a Grã-Bretanha é o maior importador de vinho no mundo, segundo dados da Vinexpo, a maior feira do setor, realizada em Paris a cada dois anos.
O país é o terceiro maior importador de vinhos brasileiros, atrás da China e da Holanda.


Apesar de responder atualmente por valores relativamente baixos, as exportações para a Grã-Bretanha tendem a crescer, entusiasmando os produtores nacionais.


O projeto Wines of Brazil – uma parceria entre o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex) - espera em 2013 que as exportações para a Grã-Bretanha superem em 50% as do ano passado, quando foram vendidos 94,6 mil litros, o equivalente a US$ 400 mil.


Segundo Andreia Gentilini, diretora da Wines of Brazil, Grã-Bretanha e Estados Unidos são os principais alvos da agência, que foi criada há dez anos para promover o vinho brasileiro no exterior.


"Desde janeiro estamos negociando vendas com seis compradores britânicos, que estão de olho nos eventos esportivos do Brasil para expandir suas oportunidade de negócios", diz ela à BBC Brasil.


Falta consistência


Mas na avaliação de Dirceu Vianna Junior, único brasileiro a carregar o título de Master of Wine – qualificação máxima da indústria de vinhos -, o setor vinícola do país "caminha no caminho certo, mas ainda carece de consistência".


"A gama de todos os produtores varia muito entre vinhos bons e ruins. Precisamos ter ao menos dez produtores em que todos os vinhos sejam de qualidade e hoje só temos uns cinco", avalia Dirceu.
O brasileiro, que é diretor de vinhos da importadora e distribuidora Coe Vintners, em Londres, diz ainda que o preço é outro desafio para o vinho brasileiro competir no exterior.


"Aqui (Londres) paga-se entre £ 8 e £10 (R$ 28 e R$ 36) por um vinho brasileiro, ao passo que encontramos garrafas da Espanha e da França que são melhores e mais baratas", diz ele, acrescentando que o valor do vinho brasileiro no exterior reflete custos com impostos, mão de obra e técnicas de produção.


"Os vinhedos ficam localizados principalmente em encostas, o que torna o cultivo mais caro do que em planície, onde podemos usar máquinas", explica.


Salto de qualidade


O jornalista britânico especializado em vinhos Steven Spurrier concorda que há obstáculos às ambições do Brasil para popularizar seu vinho no exterior, mas afirma que desde que começou a visitar as vinícolas brasileiras, há 12 anos, percebeu um "salto tremendo" na qualidade da bebida.


"Os produtores estão entendendo melhor seu terroir (solo propício à plantação de uvas) e cuidando mais das vinícolas", diz Spurrier à BBC Brasil, que avalia que o vinho brasileiro se assemelha mais ao europeu em estilo do que o chileno ou o argentino.


"Nas vinícolas do sul do Brasil, o clima é mais parecido com o da Europa do que no Chile. A diferença de temperatura entre dia e noite refresca os vinhos, resultando em uma bebida mais equilibrada, com teor alcoólico levemente menor", diz o especialista.


Isso, segundo ele, aumenta as chances de aceitação da bebida brasileira no mercado britânico, que é mais receptivo aos vinhos de mercados emergentes do que França, Itália e Espanha, os três maiores produtores mundiais.


Spurrier prepara uma reportagem sobre a produção de vinhos no Brasil para a edição de outubro da revista Decanter, uma das maiores do setor, publicada mensalmente em 90 países.

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"Os brasileiros são os new kids on the block (a novidade do momento, em tradução livre)", brinca Spurrier, que em 1976 organizou o Julgamento de Paris, uma competição de vinhos que ficou famosa ao revelar a superioridade de alguns vinhos californianos perante os franceses, algo impensável na época, que ajudou a popularizar o vinho do Estado americano.


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