Um dia após o Banco Central cortar em 0,5 ponto porcentual a taxa Selic, a presidente Dilma Rousseff disse nessa quinta-feira (1) que o futuro dos juros no Brasil dependerá do cenário externo. "Dependendo da conjuntura da economia internacional, nós teremos aumento ou diminuição (da taxa de juros)", disse Dilma em entrevista a rádios de Belo Horizonte. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu o juro básico para 12% ao ano. A decisão foi vista como resultado de pressão política por parte do governo.
A pressão começou nos últimos dias, quando a equipe econômica anunciou um esforço de última hora para "abrir caminho" para a redução do juro. Na segunda-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, divulgou um aumento da economia feita para pagar os juros da dívida pública - o superávit primário - em R$ 10 bilhões neste ano, o que ajuda a reduzir a pressão de alta nos preços.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Na terça-feira, foi a vez da presidente pedir queda dos juros. "A partir deste momento, nós começamos a ver a possibilidade de redução dos juros no Brasil, que hoje pratica as mais altas taxas."
Representantes do governo, agora, tentam desfazer a imagem de que o BC agiu pressionado. A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, afirmou nessa quinta-feira que a decisão foi tomada em virtude da crise internacional e das medidas adotadas pelo governo brasileiro. Ela negou interferência do governo na decisão e reiterou a autonomia do BC.
"O Banco Central tem total autonomia e está acompanhando a crise internacional. Os elementos da crise internacional deram condições, junto com as medidas do governo, para que se pudesse ter essa redução. O BC tomou uma medida adequada às condições da economia internacional", disse a ministra, após reunião na manhã de hoje na Câmara com a bancada do PSD.
Já o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), negou qualquer interferência da presidente Dilma e do governo sobre a decisão do BC. "Quem quer viver de especulação ficou incomodado", afirmou, completando que as críticas sobre a decisão tomada ontem pelo BC partem da "banca", ou seja, de quem ganha com os juros altos. Ele considerou "ridículo" falar de falta de independência do Banco Central nessa decisão e disse que, assim como ocorria no governo Lula, também na gestão Dilma Rousseff o BC não sofre interferências.