O dólar comercial abriu o pregão de hoje em alta de 0,74%, cotado a R$ 2,03 no mercado interbancário de câmbio e, instantes após a abertura, por volta das 9h40 (de Brasília), reduzia o avanço para 0,25%, cotado a R$ 2,02, na mínima do dia. Ontem, a moeda norte-americana fechou em baixa de 0,15%, a R$ 2,015. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista abriu em alta de 0,79%, a R$ 2,031.
O mercado doméstico de câmbio tem um motivo interno para se preocupar na manhã de hoje. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ontem, durante audiência na comissão mista de Orçamento, disse que um eventual problema gerado pela entrada maciça de dólares no País poderia ser enfrentado com a fixação de alíquotas de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Embora Meirelles tenha deixado claro que não há nenhum estudo no governo neste momento para retomar a cobrança de IOF sobre capital externo, o mercado reagiu mal, ontem no fim da tarde.
"O mercado não gostou do fato de essa possibilidade ter sido citada e considera que isso é uma sinalização de que a medida pode sim ser tomada", disse um especialista, acrescentando que o assunto deve continuar ocupando as conversas e permeando os negócios do mercado doméstico de câmbio nesta quinta-feira, ajudando a pressionar o dólar para cima.
A trajetória internacional da moeda norte-americana, nesta manhã, contribui para reforçar esse sentimento. Impulsionado principalmente pelo sentimento ruim que permeia os negócios financeiros na Europa, o dólar ganhava fôlego ante a maioria das demais moedas no mercado internacional. No entanto, aqui, estamos na véspera do dia em que será formada a Ptax (taxa de câmbio de referência do BC) para a liquidação dos contratos futuros de junho e de um expressivo volume de contratos de swap (troca). E isso deve interferir na formação de preços do dólar no decorrer do pregão. A conferir.