O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,37%, cotado a R$ 2,188. Apesar desse leve ganho, a moeda norte-americana acumulou baixa ante o real em abril de 5,61%, montante que respondeu por quase toda a perda contabilizada este ano, de 6,30%. Na BM&F, o dólar negociado à vista subiu hoje 0,51%, para R$ 2,181.
O declínio da divisa concentrado este mês refletiu a percepção de uma discreta melhora da economia mundial, que amparou firmes ganhos às Bolsas norte-americanas e à Bovespa este mês, e um fluxo cambial positivo no mercado doméstico. Esses ingressos de recursos foram decorrentes de ofertas de moeda por exportadores e entrada de capital de investidores estrangeiros interessados em aplicar na Bovespa e no segmento de renda fixa, além das captações externas fechadas por empresas brasileiras (Friboi, US$ 700 milhões; Telemar, US$ 750 milhões; e Repsol, cerca de US$ 280 milhões) . Com isso, o declínio da divisa norte-americana ante o real apurado em abril superou as perdas contabilizadas em relação ao euro, a libra esterlina e outras moedas de países emergentes.
Com base nos números de fechamento do primeiro trimestre do País, o economista Sidnei Nehme, da NGO Corretora de Câmbio, citou o saldo positivo da balança comercial de US$ 3,01 bilhões, superior ao superávit comercial do primeiro trimestre de 2008, e a continuidade desse desempenho em abril. Neste mês até o dia 24, o superávit comercial somou US$ 2,5 bilhões, o que elevou o superávit nos quatro primeiros meses do ano para cerca de US$ 5,5 bilhões. No segmento financeiro, o fluxo está negativo, de acordo com o relatório do setor externo do primeiro trimestre, mas isso não chega a ser totalmente ruim, porque refletiu redução de dívidas externas de empresas brasileiras e isso reduz o passivo do País, que fechou o primeiro trimestre com saldo de US$ 192 bilhões, enquanto mantém quase que inalterada suas reservas internacionais, em cerca de US$ 202 bilhões.
O ambiente favorável contou ainda com ingressos de estrangeiros. A Bovespa mostrou fluxo de capital externo positivo em cerca de R$ 5 bilhões no ano até 24 de abril, deixando evidente o retorno desses investidores ao País, lembra Nehme. Houve ainda emissões de empresas, o que mostra que o mercado internacional está aberto ao Brasil, uma vez que observa que não há risco de o País enfrentar dificuldades na área cambial.
Contudo, houve certa resistência à queda do dólar hoje por causa do interesse de tesourarias de bancos e estrangeiros em uma taxa ptax (taxa média do dólar ponderada pelo volume de negócios da sessão) mais alta. É que o Banco Central rolou ontem apenas cerca de US$ 2 bilhões, de um vencimento de US$ 5,7 bilhões em contratos de swap cambial em 4 de maio, próxima segunda-feira. Além de limitar a volatilidade das cotações hoje, essa rolagem parcial tornou o BC "comprado" (credor) em US$ 3,7 bilhões em swap cambial. Assim, os investidores puxaram a taxa da moeda norte-americana à vista hoje porque desejam aumentar suas posições vendidas em meio a um dólar mais alto.