O dólar fechou em alta ante o real, na contramão do comportamento de queda no mercado de moedas. No fechamento, o dólar negociado à vista na BM&F estava na cotação máxima do dia, de R$ 2,50, em alta de 0,81%, sendo que a mínima pela manhã foi de R$ 2,4683 (-0,47%). O dólar comercial também terminou a R$ 2,50, com ganho de 1,05%, após atingir máxima à tarde de R$ 2,502 e mínima no começo do dia de R$ 2,438 (-1,46%). O giro financeiro total à vista diminuiu 57% para cerca de US$ 3,161 bilhões.
Segundo um operador de um banco nacional, a moeda zerou as perdas do dia e passou a subir à tarde pressionada, em parte, por um certo mal-estar causado pela sensação de que poderá haver ingerência política na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic nesta quarta-feira. A taxa básica de juros está atualmente em 13,75% ao ano. "Há expectativa no mercado se o governo vai interferir na gestão do Copom, o que se vier a ocorrer poderá motivar fuga de capital do País", disse esta fonte.
Além disso, um economista-chefe de uma corretora atribuiu a subida do dólar à demanda por hedge funds (fundos que investem em ativos variados) e empresas para remessas de lucros e dividendos ao exterior, ao fluxo comercial negativo e a especulações de investidores posicionados na compra no mercado de derivativos cambiais.
A forma de atuação do Banco Central - que em alguns momentos age agressivamente no câmbio, a exemplo de sexta-feira com cinco leilões, e em outros espera para ver o que acontece, como hoje quando fez apenas uma operação de venda - também foi apontada como brecha para o mercado "correr solto". Para o economista-chefe de uma corretora em São Paulo, "o BC está dando sinais confusos para o mercado e não está conseguindo conter a forte volatilidade, por não estar tendo uma atuação contundente, que não deixa espaço para especulação. Ao contrário. A autoridade intervém e o mercado normaliza, mas logo em seguida retoma a pressão. Ou seja, o BC está ficando refém do mercado", avaliou.
Um operador de uma corretora paulista também observou que o dólar passou a devolver a queda registrada desde a abertura a partir da divulgação, por volta das 11 horas, do déficit de US$ 435 milhões da balança comercial na primeira semana de dezembro. "Além das saídas financeiras por causa de remessas de lucros e dividendos, o saldo comercial também não está favorável e as perspectivas são sombrias para as exportações brasileiras por causa do cenário de recessão nos EUA, em alguns países europeus e no Japão, além da forte desaceleração econômica global", disse a fonte.