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Passou de R$ 2

Dólar sobe 30% nos últimos dois meses

Agência Brasil
31 dez 1969 às 21:33

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O dólar comercial disparou 5,37% hoje e fechou cotado a R$ 2,021 no mercado interbancário de câmbio, a maior cotação desde 21 de agosto do ano passado. A taxa máxima registrada hoje nas negociações foi de R$ 2,036, enquanto a mínima ficou em R$ 1,95. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, o dólar negociado nos contratos de liquidação à vista fechou a R$ 2,03, alta de 5,48%. Ontem o dólar comercial havia fechado a R$ 1,918. Nos últimos dois meses, a alta acumulada foi de 30%.

Um forte movimento especulativo de compra da moeda americana amparou as cotações no mercado à vista e no mercado futuro da BM&F, diante do temor de uma recessão profunda nos EUA, da expectativa pelos dados do mercado de trabalho norte-americano de setembro amanhã e das incertezas sobre a aprovação pela Câmara dos EUA, até amanhã, do pacote revisado de socorro ao setor financeiro norte-americano, votado e aprovado ontem à noite pelo Senado americano.

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"A aposta no avanço do dólar à vista no curto prazo está refletindo muito mais um movimento especulativo motivado pela deterioração do ambiente financeiro externo do que pelos fundamentos da economia brasileira", afirmou o economista e professor de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA), José Carlos Luxo. Para ele, as condições econômicas no Brasil são favoráveis, apesar da previsão de desaceleração do crescimento do País por causa da crise externa, e as reservas internacionais brasileiras seguem fortes, acima de US$ 200 bilhões. Apesar disso, afirmou, há certa preocupação dos investidores com eventual aumento do déficit em conta corrente brasileiro, por causa do empoçamento da liquidez nos Estados Unidos que justifica as antecipações de remessas de lucros e dividendos por empresas ao exterior. "O fluxo cambial segue tendendo ao negativo por causa da necessidade dos estrangeiros posicionados aqui de cobrir posições lá fora."


A valorização do dólar em relação ao euro em meio a comentários de que o Banco Central Europeu (BCE) estaria alinhavando um pacote de ajuda ao setor financeiro europeu motivou ainda ajustes de posições no mercado à vista. A manutenção do juro pelo BCE hoje em 4,25% ao ano e as declarações do presidente da instituição, Jean-Claude Trichet, sinalizando preocupação com as condições econômicas na zona do euro e de que vê retração nos riscos à inflação pesaram negativamente sobre o euro.

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O recuo forte das Bolsas norte-americanas e da Bovespa contribuiu ainda mais para pressionar as cotações do dólar comercial, disse um operador. "O mercado cambial está bastante especulativo, com um fluxo cambial espalhado", observou a fonte. A Bovespa fechou em queda de 7,34%, mas no pior momento da tarde de hoje chegou a cair 9,41%.


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