Os principais índices do mercado de ações dos EUA fecharam em forte baixa e passaram a acumular queda no ano, refletindo a preocupação dos investidores com a fraqueza na economia norte-americana e com os sinais de agravamento na crise das dívidas soberanas da Europa.
"Temos uma economia fraca, evitamos - mas não solucionamos - uma crise de dívida e o restante do globo está começando a implodir em muitas áreas, especialmente na Europa", disse Barry James, presidente e executivo-chefe da James Advantage Funds. "É natural que as pessoas reajam com medo."
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O Dow Jones caiu 512,76 pontos, ou 4,31%, para 11.383,68 pontos, com mínima de 11.372,14 pontos durante o pregão de hoje. O declínio do índice em pontos foi o mais acentuado desde dezembro de 2008 e o colocou de vez num patamar mais de 10% inferior ao pico mais recente, atingido em maio, o que caracteriza um quadro de correção. O Nasdaq perdeu 136,68 pontos, ou 5,08%, para 2.556,39 pontos, enquanto o S&P 500 teve queda de 60,27 pontos, ou 4,78%, para 1.200,07 pontos.
No ano, o Dow Jones passou a acumular queda de 1,67%, o Nasdaq de 3,63% e o S&P 500 de 4,57%.
Recentemente, investidores do mundo todo tiveram de digerir indicadores fracos e turbulências políticas tanto nos EUA quanto na Europa. No caso dos EUA, os temores foram deslocados da possibilidade de uma moratória do país para a hipótese de uma forte desaceleração no crescimento econômico. Dados divulgados recentemente mostraram desaquecimento na atividade dos setores industrial e de serviços e redução no consumo norte-americano. Amanhã sai o relatório sobre a situação do mercado de trabalho dos EUA e a expectativa é de manutenção da taxa de desemprego em um nível elevado.
Na Europa, os investidores começaram a cobrar mais para comprar papéis da dívida da Itália e da Espanha. A situação é semelhante à ocorrida com Grécia, Irlanda e Portugal, que tiveram de pedir auxílio financeiro aos demais membros da zona do euro justamente para contornar o alto custo do financiamento oferecido pelo mercado.
O Banco Central Europeu (BCE) anunciou hoje que pretende reativar duas medidas adotadas durante a crise financeira para tentar impedir a disseminação dos problemas da periferia da zona do euro para as grandes economias do bloco monetário. Durante uma entrevista coletiva, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, reconheceu que os riscos de desaceleração no crescimento da economia "podem ter se intensificado" e que os indicadores recentes mostraram uma desaceleração no ritmo de expansão da Europa.
"Estamos vendo a preocupação das autoridades de governos e de bancos centrais. Eles estão pensando se ainda há alguma arma no arsenal dos governos para ajudar", disse Russ Koesterich, estrategista-chefe de investimentos do Blackrock. "Os investidores estão percebendo que a economia está muito frágil, mas não está claro se os governos têm capacidade para ajudar."
Operadores disseram também que há muitos investidores vendendo ativos para cobrir requerimentos de margem ou reduzir a exposição ao mercado. Como um reflexo disso, bancos estão recebendo uma grande quantidade de dinheiro. O Bank of New York Mellon divulgou inclusive que cobrará uma taxa a partir de semana que vem dos clientes que aumentaram significativamente seu saldo em cash no último mês. A medida tem como objetivo repassar aos correntistas "os custos decorrentes de aumentos repentinos e significativos nos depósitos em dólar no BNY Mellon", afirmou a instituição num comunicado.