A lentidão no processo de desaceleração da economia está surpreendendo analistas e será o ponto de avaliação mais complicado para os integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) na tomada de decisão nesta quarta-feira (23), sobre a taxa básica de juros do País, a Selic.
O economista Francisco Pessoa, da LCA, avalia que os sinais de perda de ritmo na expansão do comércio e da indústria não são claros e "há uma resistência na economia mais forte do que se esperava". Para ele, isso dificulta a política monetária.
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A avaliação também é feita pelo chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor de política monetária do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas, e pela analista da Tendências Consultoria, Marcela Prada.
Segundo Pessoa, a desaceleração pode estar sendo protelada por causa da confiança vigente, o alto nível de geração de emprego e o fato de que, apesar da alta da Selic, alguns segmentos, como construção, ainda estão com juros "extremamente baixos".
Para Thadeu de Freitas, "a economia está robusta, há uma resistência muito forte à desaceleração". Ele avalia que isso se deve ao fato de que há confiança de que a perda de ritmo virá, mas será temporária. "Sendo assim, ninguém quer perder espaço ou clientes, sobretudo os bancos", disse. Além disso, ele e Pessoa apontam a ampla geração de empregos formais como um dos sustentáculos do atual vigor da economia.
Para o economista da CNC, apenas medidas abrangentes sobre o crédito teriam desacelerado a economia mais rapidamente, mas avalia que já passou o momento em que a equipe econômica do governo teria optado por esse caminho. Desse modo, para ele o rumo está traçado: o Copom continuará subindo a Selic em 0,50 ponto ou 0,75 ponto e o ritmo de crescimento só será mais brando a partir do primeiro semestre de 2009. Este ano, para ele, o vigor continua.