O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou nesta quarta-feira, 14, estimativas para a economia brasileira este ano. "Projetamos crescimento da economia não inferior a 7% em 2010 e temos a meta de gerar 2,5 milhões de empregos", disse, durante cerimônia realizada no Itamaraty para fechar acordos com a União Europeia na área da aviação civil e de bioenergia. Em bioenergia, também haverá uma parceria com Moçambique.
Lula fez essas afirmações ao criticar o que chamou de insistência do protecionismo e criminalização da imigração feitas por países desenvolvidos. "E isso só piora a situação", avaliou Lula, acrescentando que o Brasil é e continuará a ser solidário aos que buscam trabalho e vida melhor aqui.
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O presidente disse que essa expectativa de crescimento só é possível porque há um crescimento do consumo interno, bancos brasileiros robustos e adoção de práticas anticíclicas pelo governo. Lula insistiu na necessidade de realização de reformas estruturais no sistema financeiro internacional para evitar episódios que acabaram na crise global há dois anos. "É preciso acabar com parâmetros frouxos e coibir a especulação financeira no mercado internacional de commodities", disse.
Mantega prevê crescimento entre 6,5% e 7%
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também se manifestou nesta quarta-feira sobre o crescimento do País. Ele acredita que a economia brasileira crescerá em 2010 em um intervalo entre 6,5% e 7%. Até então, os documentos da equipe econômica contavam com previsões de 6,5%. O ministro evitou, no entanto, dizer qual é o novo porcentual exato esperado pelo governo. "Não me lembro", desconversou, ao sair da cerimônia de assinatura de acordos bilaterais entre Brasil e União Europeia no Itamaraty. Mantega disse que não se preocupa com o conteúdo do relatório mais recente do Banco Central que destacava o forte aquecimento da atividade doméstica. "Isso não preocupa porque estava prevista uma desaceleração", argumentou.
Na avaliação de Mantega, o primeiro trimestre registrou números robustos de crescimento porque era uma reação ao trimestre do ano anterior e também porque houve antecipação do faturamento e das vendas do segundo trimestre. De acordo com ele, se somar os números do primeiro e segundo trimestre e dividir pela metade dará um número compatível com o potencial de crescimento do País, que deve girar entre 5,5% e 6%. Este é inclusive o intervalo esperado pelo ministro para a expansão da economia no terceiro trimestre.
Para ele, é natural haver uma acomodação dos números no segundo trimestre porque foi nesse período que o governo retirou os estímulos da economia que estavam em vigor até março. Ele enfatizou que 2010 será um ano atípico por conta da base de comparação em 2009 que ainda sofria os impactos da crise financeira internacional. "Não há superaquecimento da economia", garantiu, acrescentando que a inflação deste ano ficará dentro das bandas de acomodação da meta inflacionária, de 4,5%, com dois pontos para cima ou para baixo.