O 18º Encontro Estadual de Cafeicultores que ocorreu quarta-feira, 07, contou com a presença de 400 participantes entre produtores familiares de café, dirigentes de associações da classe, pesquisadores, técnicos e estudantes.
O evento apresentou a 8ª edição do Concurso Estadual Café Qualidade Paraná e mostrou os avanços em relação aos anos anteriores. Outros temas abordados pelos palestrantes foram a adequação do sistema de manejo da lavoura, colheita do café e fortalecimento do cooperativismo.
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O coordenador do evento, engenheiro agrônomo do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Cornélio Procópio, Cilésio Abel Demoner, fez a abertura da mesa técnica expondo a importância da produtividade, qualidade e mercado como forma de uso o potencial no cafeeiro do Paraná.
Tratos Culturais e Sustentabilidade
Na primeira palestra do encontro, o engenheiro agrônomo do Emater de Carlópolis, Otávio Oliveira da Luz, destacou que gerenciamento é a palavra chave para atender às exigências do novo cenário da cafeicultura mundial. De acordo com Oliveira, não basta ter uma produção de qualidade, é preciso saber gerenciar a mercadoria. "Hoje não há espaço para erros no cálculo", enfatizou.
Oliveira explicou que fatores como pragas, doenças e questões climáticas podem declinar a produtividade, por isso iniciativas de prevenção devem ser adotadas. Algumas técnicas baratas de adubação corretiva que têm ajudado na recuperação do solo são a calagem, gessagem e fosfatagem. Medidas como estas aumentam o sistema radicular de absorção de água e nutrientes, ensina o engenheiro.
A poda em café é outra técnica barata que dá ótimos resultados. Essa prática corrige a arquitetura da planta, diminui custos de produção, facilita tratos culturais e auxilia na recuperação de lavouras atacadas por pragas e doenças. Contudo, qualquer poda tem resultado negativo na produção ao longo dos anos. Por isso, o cuidado e o conhecimento da prática são essenciais. Segundo Oliveira, "a lavoura precisa estar em bom estado e bem preparada".
Em relação aos parâmetros de sustentabilidade, a produção deve ser superior a 30 sacas beneficiadas por hectare para gerar lucro ao agricultor. Um dos fatores que eleva os custos na produção é a política agrícola brasileira, salienta. Entre os motivos desse aumento está a adequação ambiental da propriedade, ausência de seguro rural e a alta taxa do imposto estadual em relação a outros estados produtores (Paraná 12%, São Paulo 7% e Minas Gerais 5%). "A disparidade no aumento do salário mínimo em relação ao preço do café e o Real forte são outros fatores que elevam os custos", conclui.
Como forma de reivindicar melhorias para o setor, a participação e organização dos cafeicultores de forma unida é fundamental. De acordo com o engenheiro, dos 5.764 cafeicultores no Paraná, somente 12% são associados a alguma organização. "Mais do que ter subsídios do governo, trabalhar bem e fazer boa administração, o cafeicultor precisa buscar medidas políticas que beneficiem a classe. Caso contrário, todo o ganho continua a ser transferido para os outros elos da cadeia e não para o produtor do café", finalizou o palestrante.