As Promotorias de Justiça Especializada Criminal e de Defesa do Consumidor do Rio Grande do Sul cumpriram mandados de prisão preventiva, busca e apreensão em três cidades da região norte do estado, na oitava fase da operação "Leite Compen$ado".
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na sede da Odair Transportes Ltda., em Campinas do Sul, foi encontrado um saco de ureia de 50 quilos, 270 litros de soda cáustica e, aproximadamente, dois litros de álcool em uma bombona de 20 litros. Os produtos foram localizados em um galpão ao lado da residência de Odair Melati, onde também foi encontrada tubulação de água da chuva e um tanque. O proprietário da transportadora foi preso preventivamente por fraudar leite com água (e adicionar produtos químicos para mascarar a adulteração).
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
A adição de ureia e de álcool faz com que o ponto de congelamento (crioscopia) seja elevado durante a análise laboratorial e a soda cáustica reduz a acidez do leite que está já em decomposição. Também foram presos três motoristas ligados à empresa: Vilmar Bonfante, Franciel Lazari e Ezequiel Sakrczewski.
Gravação telefônica
Na residência de Odair Melati, foi encontrada em um notebook uma gravação telefônica feita por ele próprio em que pergunta a um interlocutor desconhecido quanto de leite havia sobrado no dia. Ao ouvir a resposta de que sobraram 800 litros, ele diz: "1,6 mil então", e ri. Esse é um dos indícios da adição de água no leite para dobrar o volume entregue à Cooperativa de Pequenos Agropecuaristas de Campinas do Sul (Coopasul), que era, diariamente, de 600 mil. O presidente da Cooperativa, Ariel Narzeti, e o laboratorista, Douglas Bonfante, também foram presos preventivamente. Escutas telefônicas comprovam que os dois recebiam leite em desconformidade. Em uma situação, um motorista foi orientado para esperar a fiscalização do Mapa sair da Coopasul para, depois, entregar a carga normalmente.
"Hoje identificamos um índice muito pequeno de adulteração. As próximas etapas devem ser, possivelmente, na produção de derivados. Estamos de olho em todos os focos de adulteração, quem estiver mexendo no leite deve esperar nossa visita", disse o Promotor de Justiça da Especializada Criminal Mauro Rockenbach. Já o Promotor de Defesa do Consumidor, Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, frisou que, com a aprovação de um Projeto de Lei que tramita na Assembleia Legislativa para regular o transporte de leite cru, o produto que chega à mesa deve melhorar. "Chegamos ao patrimônio que os fraudadores obtiveram ilicitamente e, mesmo assim, há ainda os que teimam em continuar o crime, mas em breve haverá mais desdobramentos", afirmou.