O empresário brasileiro está pessimista com o cenário macroeconômico nos próximos seis meses e se mostra decidido a segurar o freio dos investimentos, por causa das incertezas da crise financeira internacional. A conclusão é de pesquisa divulgada nesta quinta-feira (22) pela Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca).
A pesquisa ouviu representantes de 52 grandes empresas filiadas à Abrasca, que representam cerca de 40% do valor de mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e correspondem a um quarto do total de companhias ligadas à entidade. Conforme o levantamento, 86% das companhias abertas prevêem queda nos investimentos neste semestre contra 8% no semestre anterior e apenas 2% no mesmo período do ano passado. Naquela ocasião, 72% das empresas pretendiam expandir os investimentos, mas hoje somente 4% mantêm esse propósito.
Para o presidente da Abrasca, Antonio Castro, esse dado é preocupante, porque, se for materializado, "terá implicações em termos da capacidade produtiva nacional". Se não há investimento para aumentar a produção, o restante da economia pode ficar estagnado, disse ele. Os números mostram que os empresários estão em compasso de espera, aguardando a evolução da crise e o comportamento da demanda: "O ano começa sob o signo da cautela."
Outra variável que preocupa é o crédito. O problema não afeta muito as grandes empresas, que têm acesso ao crédito, mesmo estando mais caro, mas pequenas e médias têm dificuldade. "O fator crédito pesa, principalmente para aquelas (empresas) que não são tão grandes".
A pesquisa mostra também que nenhuma empresa espera aumento de postos de trabalho no país e que 85% delas projetam queda no nível de emprego. Mesmo em seu respectivo setor, apenas 6% das empresas que compõem a amostra prevêem alta, contra 50% que projetam estabilidade e 44% que esperam retração. No mesmo semestre de 2008, a sondagem indicava que 79% esperavam aumento no número de empregos no país e 62% projetavam ampliação das vagas em sua área de atividade.
Castro defendeu a flexibilização das regras do trabalho para garantir o emprego. "Faria uma diferença muito grande", tendo em vista a tendência crescente de terceirização para redução de custos. Para ele, a questão do desemprego está relacionada à demanda do setor e ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma dos bens e serviços produzidos no país. Na pesquisa, 81% dos entrevistados apostam na queda do PIB este ano, mas há um ano previa-se forte crescimento da demanda no setor (82% contra 13% agora), bem como para o PIB (72%).