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Empresas negociadas na Bovespa perdem R$ 147 bi

09 ago 2011 às 09:38

O pânico dos investidores no primeiro pregão depois do rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos pela Standard & Poor's castigou as empresas brasileiras negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Só nesta segunda-feira (8), elas perderam R$ 146,98 bilhões, segundo levantamento da empresa de informação financeira Economática. Em valor de mercado, as maiores perdas foram da Petrobras (cerca de R$ 22 bilhões) e Vale (quase R$ 21 bilhões).

Mas, em porcentual, outras empresas lideraram o ranking de queda no Índice da Bolsa (Ibovespa). A campeã foi a Marfrig, do setor frigorífico. No pior momento do pregão, as ações chegaram a despencar 28%, mas fecharam o dia em 25,75%. As empresas do empresário Eike Batista também sofreram com o caos no mercado. A OGX, de petróleo e gás, e a LLX, braço de logística do grupo EBX, recuaram 16,82% e 14,05%. Juntas, as três companhias perderam R$ 7,2 bilhões no dia, segundo o levantamento.


"A aversão ao risco foi generalizada. Mas, além do risco sistêmico que afetou todas as ações, há o risco individual das empresas, avaliado especialmente pelo fluxo de caixa", afirma o professor de finanças da BBS Business School, Ricardo Torres. No caso da Marfrig, a empresa está bastante alavancada por causa de aquisições feitas nos últimos anos, como a Keystone e a O?Kane. Ontem, o valor de mercado da companhia representava metade de seu patrimônio líquido.


Além disso, parte do endividamento está em moeda estrangeira, o que deixa o grupo mais exposto aos humores dos investidores. Junta-se a isso o fato de os custos terem crescido bastante nos últimos meses e ameaçarem as margens da companhia. "Apesar disso, não acredito que a empresa vá ter problemas graves. O grupo tem sócios fortes, capazes de sustentar uma crise", diz Eduardo Miziara, gestor dos fundos de ações da Capitânia.


Ele explica que boa parte do desempenho das ações da empresa deve-se ao movimento de um dos sócios da Marfrig. Trata-se do banco GWI, do coreano Mu Hak You, que apostou fortemente na empresa no início do ano, quando anunciou a compra de uma participação de 5,22%. O GWI, que chegou a encerrar temporariamente suas operações após a crise de 2008, depois de registrar fortes perdas em operações de risco muito alto, foi ao mercado ontem para se desfazer dos papéis da Marfrig.


No caso das empresas de Eike Batista, a situação é um pouco diferente. Na OGX, o desempenho costuma seguir a tendência do preço internacional do petróleo, que ontem caiu 6,41% e fechou no menor nível em quase nove meses. Mas há um outro fator que acaba influenciando as decisões dos investidores num momento de pânico. Tanto a OGX como a LLX são empresas que têm em sua carteira projetos que ainda não estão operando.

"São empresas pré-operacionais, que ainda vão começar a produzir. Essas empresas tendem a ser mais voláteis?, afirma o analista chefe da corretora Socopa, Osmar Camilo. Ontem, enquanto a OGX caiu 16,82%, a Petrobras recuou 9,01%. Ele explica que, no caos, ninguém se salva. ?Na hora do aperto, os investidores precisam fazer caixa e vendem o que podem." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


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