Restabelecer os caminhos de crescimento e retomar a credibilidade da economia são os maiores desafios do Brasil para os próximos anos. A análise foi feita na manhã desta quinta-feira (5) pelo professor da Fundação Dom Cabral e ex-ministro de Planejamento Paulo de Tarso Paiva, durante a primeira edição do EncontrosFolha, promovido pelo grupo FOLHA no Hotel Blue Tree. O evento teve apoio da Fundação Dom Cabral, da J.Valério Soluções Empresariais e da Unifil.
Além de Paiva, o painel de discussões contou com a presença do prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff, o diretor técnico da Agência Paraná de Desenvolvimento, Henrique Ricardo dos Santos, o consultor de negócios Marcelo Mafra e o reitor da UniFil, Eleazar Ferreira.
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O ex-ministro apontou um cenário pessimista para a economia brasileira, principalmente em relação ao controle da inflação. "Estamos permitindo que a inflação fique próxima ao teto da meta (6,5%), quando o ideal era ficar no centro. Temos itens de consumo represados pelo governo como energia e combustível, e quando estes itens subirem há o risco de um cenário de indexação. Isto mostra que estamos perdendo o fôlego da economia e não conseguimos recuperar".
O prefeito Alexandre Kireeff também pregou um cenário de cautela para 2015. Para driblar os obstáculos do baixo aquecimento da economia e do risco de inflação, o chefe do Executivo londrinense aposta em uma 'receita caseira'. "Precisamos procurar uma diferenciação regional para que o cenário nacional não se manifeste de forma tão contundente", afirmou Kireeff, citando como alternativas a ampliação de investimentos públicos em infraestrutura, como a instalação do BRT, o controle interno de despesas e a melhoria na eficiência da arrecadação.
Na opinião do consultor em negócios Marcelo Mafra, Londrina possui condições de crescer apostando na atração de investimentos. Para isto, precisa definir e divulgar os fatores que a tornam competitiva na disputa com outras cidades. "Londrina deve explicitar melhor seus indicadores. A falta de prognóstico prejudica a gestão, dá a impressão que a cidade está à deriva. Chegou a hora de olhar para frente e definir quem somos e onde queremos chegar".
O diretor da Agência Paraná de Desenvolvimento, Henrique dos Santos, afirmou que apesar de o cenário econômico para o próximo ano não ser promissor e exigir sacrifícios da sociedade, Londrina tem um trunfo para crescer. " Há mão de obra abundante graças ao elevado número de universidades, e a cidade é atrativa do ponto de vista da qualidade de vida dos funcionários de uma empresa que venha a se instalar por aqui, o que acaba compensando o gargalo de logística ainda presente no município".
Eleazar Ferreira, reitor da Unifil, também apontou a qualificação profissional como diferencial de Londrina, ressaltando que ainda é necessário maior investimento na base da educação. "Temos cerca de 50 mil universitários na cidade buscando conhecimento para oferecer ao mercado de trabalho, é um setor pujante. Por outro lado, 5% dos londrinenses ainda são analfabetos, há quatro mil crianças fora das creches, o que acaba impedindo as mães de trabalharem. Se houver um salto de qualidade com 100% das crianças na escola, não há dúvidas de que teremos uma cidade muito mais produtiva daqui a 10, 15 anos".
As cerca de quatro horas de análise e discussões sobre os caminhos de desenvolvimento para o interior do Paraná agradaram os presentes ao evento, que participaram ativamente fazendo perguntas aos painelistas.

O diretor do grupo Folha, Nicolás Mejia, fez um balanço positivo da primeira edição dos encontros. "Demos um primeiro passo no objetivo de promover a discussão de temas relevantes para nosso Estado. As discussões e ideias nos dão um caminho a seguir. Plantamos uma semente e agora aguardamos que a sociedade participe com novas propostas para o futuro do Paraná". A próxima edição deve ocorrer no fim de setembro.