A chuva que se prolonga por mais de uma semana já prejudica a qualidade de legumes e verduras nas lavouras, reduzindo a oferta dos produtos nas unidades das Centrais de Abastecimento no Estado do Paraná.
Boa parte dos produtos é perdida antes da colheita e alguns comerciantes da Ceasa já buscam fornecedores de alguns produtos em outros estados. O tempo chuvoso já reflete nos preços de várias mercadorias nos últimos dias e a tendência de alta deve continuar enquanto persistir a chuva.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Segundo Luiz Alberto Sovierzoski, responsável pelo setor de estatísticas na Ceasa de Londrina, a elevação de preços de alguns produtos varia de 87% a 350%. A comparação de valores leva em conta preços praticados antes da geada e da chuva dos últimos dias com os períodos considerados normais para o abastecimento.
O produtor Eliel dos Santos Silva reclama que nunca viu um inverno com tanta chuva e calcula prejuízos de até 70% em algumas culturas. Ele cultiva 30 variedades de legumes e verduras em uma área de 10 hectares no Patrimônio Selva, região Sul de Londrina. ''Estou com brócolis, repolho e acelga apodrecendo na roça. O rabanete, que colhia 30 a 40 dúzias por dia, hoje trouxe apenas seis (dúzias) para a Ceasa''. Segundo ele, será preciso de pelo menos 10 dias sem chuva para a renovação dos canteiros. ''Isto significa que vou ficar entre 60 a 90 dias sem várias mercadorias para vender'', lamenta.
Em situações normais, o produtor Nelson Rodrigues de Oliveira comercializa 1,2 mil caixas de tomate longa vida por semana na Ceasa de Londrina e esta quantidade caiu cerca de 40% nos últimos dias. ''A umidade causa fungos e bactérias nas lavouras e a gente não consegue tirar o produto da roça''. Ele acredita que a situação deve ficar ainda pior nos próximos dias, independentemente do tempo, porque o tomate demora em torno de 100 dias para chegar ao ponto de colheita no inverno.
Já o comerciante Levino Garcia que vende batata monalisa em um box da Ceasa, apesar do produto estar na época de colheita, o preço atual é quase o dobro do praticado em condições normais. Garcia disse que ontem comercializou a saca de 50 quilos por R$ 70 porque tinha o produto em estoque, mas deve subir para R$ 80,00 a partir de hoje. Ele calcula que, com a fim das chuvas e o ritmo de colheita voltando à normalidade, o valor da batata deve se estabilizar entre R$ 40 e R$ 45. Outros comerciantes venderam a saca de batata por R$ 75,00.
O gerente da Ceasa em Londrina, Ismael Batista da Fonseca, diz que a situação local se repete em todas as unidades da Ceasa no Paraná. Segundo ele, alguns produtos estão sendo importados de outros estados para garantir o abastecimento, o que vai contribuir para o aumento de preços ao consumidor. ''O aumento é inevitável e os preços só devem voltar ao normal em torno de 15 a 20 dias após a chuva''. Ele sugere que neste período o consumidor compre mais frutas, tais como laranja, limão, maçã e banana, porque os preços permanecem estáveis.