O FMI (Fundo Monetário Internacional) alertou nesta quarta-feira que o rápido crescimento do crédito no Brasil representa um risco à estabilidade.
No Global Financial Stability Report ("Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global", em tradução livre), lançado nesta quarta-feira, em Washington, o FMI cita o exemplo do Brasil ao lado da também emergente Turquia.
"(Nesses países) A qualidade dos empréstimos parece forte na superfície, mas a rápida expansão do crédito doméstico representa um desafio chave para a estabilidade futura", diz o documento.
O risco de aumento excessivo do crédito já motivou medidas do governo brasileiro para restringir a concessão de empréstimos e controlar a inflação.
Segundo o FMI, os grandes fluxos de capital que invadiram muitos emergentes – entre eles o Brasil – após a crise econômica mundial ajudaram a alimentar a expansão na liquidez e no crédito.
Riscos
O FMI alerta para o risco de superaquecimento em algumas dessas economias emergentes, com gradual acúmulo de desequilíbrios financeiros e deterioração da qualidade de crédito.
Outro risco é o de uma saída brusca desse capital estrangeiro, caso a situação econômica global se agrave ou haja mudanças nos fundamentos econômicos – como perspectivas de crescimento ou risco-país.
As medidas para restringir a concessão de crédito no Brasil, aliadas ao fraco desempenho da indústria – afetada pela valorização do real frente ao dólar – e a uma maior incerteza no cenário externo são apontadas por economistas brasileiros como motivos para uma redução nas projeções de crescimento do país.
O próprio FMI reduziu na terça-feira para 3,8% a sua previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, uma queda de 0,3 ponto percentual em relação à estimativa anterior, de junho.
O caso do Brasil, porém, não foi único. As projeções para a economia mundial e para quase todos os países analisados pelo fundo também foram reduzidas, diante de um aumento das incertezas sobre a recuperação global.
Nas economias avançadas, onde as perspectivas de crescimento são bem menores do que nos emergentes, o FMI observa que há um impacto negativo tanto nas contas públicas quanto nas privadas.