O mercado de trabalho forte tem contribuído para o endividamento das famílias. No entanto, elas estão mais cautelosas na hora de ir às compras, segundo a economista Marianne Hanson, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A CNC divulgou nesta terça-feira, 23, a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), que mostrou uma queda no nível de endividamento das famílias, de 63,5% em julho, para 62,5% em agosto. Foi o terceiro recuo consecutivo na taxa, embora ainda encontre-se em patamar superior ao de agosto de 2010, quando estava em 59,1%.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
As medidas macroprudenciais, os juros mais altos e as incertezas em relação ao cenário internacional e à economia brasileira estariam contribuindo para que os brasileiros sejam mais cuidadosos ao contrair dívidas. "Hoje, existe uma incerteza muito grande dos agentes econômicos em geral. Então, na hora de consumir, existe uma cautela maior", disse Marianne.
A economista ressaltou, porém, que a Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias, divulgada pela CNC na semana passada, mostrou que as famílias ainda estão propensas a consumir. "Acho que o que está preponderando em relação a essas incertezas é que o mercado de trabalho ainda está muito forte. O setor que emprega mais, o de serviços, ainda vai muito bem, não foi afetado pela demanda mais fraca da indústria. O comércio e os serviços estão com resultados bastante favoráveis ainda, estão empregando, estão reajustando salários, com reajustes reais", avaliou Marianne.
Ela lembrou ainda que a pesquisa de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente a junho, mostrou que a massa real de salários cresceu 6,2% na comparação com junho do ano anterior, contribuindo como estímulo para novas dívidas. "Um crescimento de 6,2% ainda é bastante elevado. As famílias estão vendo que está havendo menos emprego, menos renda, mas ainda estão com dinheiro no bolso. Isso está permitindo até que esse endividamento muito elevado não vire uma taxa de inadimplência muito alta. A inadimplência está subindo, mas está subindo pouco, devagar, e está permitindo que as famílias continuem consumindo", explicou.
A Peic divulgada hoje mostrou um ligeiro aumento na inadimplência, com 24,4% das famílias declarando que fechariam o mês de agosto com contas em atraso, contra um porcentual de 23,7% em julho. "Se você for comparar a trajetória anual do número de famílias com dívidas com a trajetória do número de famílias com contas em atraso, você pode perceber que, apesar desse crescimento das famílias com dívidas, a inadimplência não está acompanhando tanto. Ela (a inadimplência) está crescendo, mas moderadamente", avaliou Marianne.
Entre as famílias que ficariam inadimplentes em agosto, 8,2% disseram que não teriam condições de quitar seus débitos, porcentual estável em relação aos 8,1% apurados em julho, mas consideravelmente menor em relação aos 8,8% de agosto de 2010. "Em relação ao ano passado, mais famílias estão propensas a quitar suas dívidas e isso é positivo também. Isso mostra uma cautela do consumidor, sem dúvida", afirmou a economista.
O tempo médio de atraso no pagamento das dívidas registrado em agosto é de 57,5 dias. No mesmo período do ano passado, o atraso registrado era de 59,9 dias. Já o tempo médio de comprometimento com as dívidas foi de 6,9 meses em agosto, com uma fatia média de 30% da renda comprometida.