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Financiamento abundante

FMI alerta para risco de 'dinheiro fácil' no Brasil

BBC Brasil
04 mai 2010 às 14:44

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Países latino-americanos com acesso a financiamento externo abundante e barato, como o Brasil, devem mudar a política fiscal para evitar um crescimento excessivo da demanda, diz um relatório divulgado nesta terça-feira pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

Segundo o relatório Regional Economic Outlook - Western Hemisphere, os países da América Latina têm se recuperado da crise econômica mundial mais rápido do que o esperado, mas em ritmos diferentes.

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Na região, os países que têm fortes vínculos com os mercados financeiros globais, como é o caso do Brasil, têm maior probabilidade de apresentar uma recuperação mais vigorosa, diz o documento.


Países exportadores de commodities e com acesso total aos mercados financeiros globais - grupo que inclui, além do Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru - enfrentam o desafio de evitar que as condições favoráveis acabem provocando um crescimento muito rápido e favorecendo o surgimento de bolhas, diz o FMI.


Riscos


Para evitar o risco de superaquecimento nesses países, o FMI recomenda que, à medida que a economia se recupera e aumenta o risco de inflação, as políticas macroeconômicas de estímulo sejam retiradas, a começar pela política fiscal, "especialmente onde a demanda privada está ganhando mais força".


"A chegada de condições de financiamento externo acessíveis é uma boa notícia de modo geral para as economias emergentes", diz o diretor do Departamento de América Latina do FMI, Nicolas Eyzaguirre.


"Mas esses episódios temporários trazem riscos que precisam ser abordados. É importante não deixar que condições favoráveis provoquem um crescimento muito rápido da demanda e do crédito", afirma.


De acordo com o relatório, o baixo custo do financiamento externo e a possibilidade de que se acelerem as entradas de capital podem trazer problemas, especialmente para países mais avançados, como o Brasil.


Crédito


O relatório aponta que, entre os países da região, o maior crescimento de crédito foi registrado no Brasil, "graças ao importante fluxo de empréstimos concedidos por instituições públicas".


"Entre outras medidas, seria necessário atenuar a volatilidade dos tipos de câmbio e dos mercados financeiros que está associada às entradas e evitar a excessiva apreciação dos tipos de câmbio", diz o relatório.


O FMI também recomenda "reduzir a probabilidade de bolhas de ativos e de booms de crédito e evitar o reaquecimento vinculado ao 'dinheiro barato'".

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Segundo o documento, essas recomendações são "especialmente importantes" para economias funcionando perto de seu potencial pleno, como a do Brasil.


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