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Governo cumprirá superávit primário ‘com folga’

Agência Estado
23 ago 2011 às 14:24

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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira (23), que o governo vai cumprir com folga o superávit primário de 2011. Mantega lembrou, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o desempenho deste ano é mais que o dobro do que no ano passado. "Estamos cumprindo as metas fiscais e aumentando o desempenho em relação ao ano passado", afirmou. Segundo ele, o superávit primário acumulado de janeiro a junho de 2011 foi de R$ 55 bilhões, ante US$ 24 bilhões no mesmo período de 2010. "Mesmo em ano de crise internacional, vamos continuar reduzindo o déficit nominal", garantiu Mantega.

O ministro disse que a crise internacional traz alguns desafios para o governo, como continuar a fazer bons resultados fiscais. "Vamos continuar a trajetória dos resultados primários. É importante que o Brasil se diferencie dos outros países mostrando que tem situação fiscal sólida", afirmou.

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Mantega disse também que continuará a contenção de novos gastos do custeio, mas destacou que isso não significa baixar os gastos atuais. "É difícil porque temos gastos obrigatórios como educação, saúde", disse. O ministro também pediu aos senadores que ajudem a aprovar a prorrogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU). "A não aprovação da DRU acaba ameaçando a situação do governo", disse. A DRU dá mais flexibilidade na execução do Orçamento, liberando parte das receitas carimbadas.


Mantega afirmou ainda que o Brasil já está em condições de desindexar a economia. "A desindexação é uma coisa difícil de fazer", disse. "Mas já estamos em condições de desindexar e estamos fazendo na área de energia", completou. Ele destacou que ainda há indexação nas LFTs, títulos emitidos pelo Tesouro, e nos contratos de aluguel reajustados pelo IGP-M, que "não é um bom indexador". Mantega disse que o IGP-M continua sendo usado porque é facultado às pessoas escolherem o indexador, mas talvez seja necessário que o governo faça uma campanha.


O ministro disse concordar que as taxas de investimento e de poupança ainda são insuficientes no Brasil. "Quando falo em reduzir gastos é de consumo e não dos investimentos. Precisamos ultrapassar 20% do PIB, estamos aquém. Estamos trabalhando para chegar a 23% ou 24% do PIB", destacou. Para Mantega, o crescimento econômico também trará um aumento da poupança interna.


Selic


O ministro disse também que criar as condições para baixar a taxa Selic é prioritário, neste momento, em todos os sentidos. Segundo ele, a economia já desacelerou e a inflação está sob controle.


Mantega destacou que o mercado prevê uma inflação mensal entre 0,35% e 0,38% pelo IPCA até o final do ano, embora tenha reconhecido que, no acumulado em 12 meses, o IPCA ultrapassa o teto da meta, que é 6,5%. "O que interessa é para frente. E está baixa. Não acredito que tenha no segundo semestre uma pressão das commodities", disse ele em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

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O ministro previu que a economia internacional vai desacelerar, o que deve levar a uma redução da pressão inflacionária. "Haverá uma redução da taxa de crescimento no mundo. Então a tendência do mundo é deflacionar e vai contaminar o Brasil", afirmou.


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