O governo brasileiro está um passo atrás no combate à crise, avaliou o economista Luiz Carlos Bresser Pereira, ex-ministro da Fazenda do governo de José Sarney. "É um passo atrás principalmente por causa da taxa de juros e porque (o governo) não está aproveitando para fazer reformas, como a desindexação dos contratos. Além disso, está tentando aumentar os gastos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mas não é fácil, não se faz de um dia para outro", disse. Sobre a questão de indexação de contratos, Bresser disse que se trata de um problema "escandaloso".
Já na esfera da política monetária, Bresser avalia que o governo deixou de cortar juros por causa do otimismo em relação ao quadro de crise global. "O governo no ano passado aumentou a taxa de juros. E foi o governo que aumentou. Essa história de que o Banco Central é independente é bobagem. O governo aumentou a taxa de juro quando todo mundo está cortando e só voltou a baixar agora em janeiro, o que é lamentável. No mais, o governo tomou uma série de medidas adequadas. Diminuiu impostos, aumentou o crédito do Banco do Brasil e do BNDES. Talvez devesse ter sido mais agressivo nessas políticas. Mas não creio que tenha feito erros graves, a não ser no caso das taxas de juros", analisou.
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Bresser elogiou a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de cortar a Selic em 1,50 ponto porcentual, para 11,25% ao ano na última reunião. "Em economia, nada é irreversível. (...) O BC está atrasado, mas, afinal, foi uma boa notícia eles terem resolvido baixar a taxa de juro de maneira clara e bem forte. Se continuarem reduzindo (a Selic) desse jeito, isso é muito bom para a economia brasileira e poderá ser um fator importante para que o Brasil não tenha uma recessão este ano", afirmou.
Segundo o ex-ministro, a Selic deveria seguir caindo no ritmo de "no mínimo" 1pp por reunião. "Não há risco de inflação e não há razão para se preocupar com ela. Não há justificativa para essas taxas de juros tão altas que tivemos desde o Plano Real. A taxa de juro real deveria ficar em 3% a 4% nos momentos bons e nesse momento devia estar entre 1% e 2%", explicou. Atualmente o juro real está ao redor de 6%.