O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta-feira, 2, que as medidas de restrição ao crédito, como o aumento das alíquotas do IOF e o compulsório sobre depósitos de leasing, têm como objetivo reduzir o ritmo de expansão dos empréstimos a um patamar de 30% ao ano. "É para acelerar, mas em ritmo um pouco menor que 30% ao ano", disse o ministro em audiência da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. Ao comentar o desempenho recente do mercado de crédito, que chegou a crescer 32% em 12 meses, Mantega classificou a velocidade de aumento das operações como "um pouco excessiva".
O ministro citou aos deputados que medidas de restrição ao crédito fazem parte das ações setoriais da equipe econômica para combater a inflação. Outra decisão é a liberalização de importações. Mantega citou como exemplo a análise de ajuste na lista de exceção de produtos que podem ser importados no âmbito do Mercosul.
Ainda nas ações setoriais, ele lembrou da desoneração tributária em impostos como a Cide, que impediu o reajuste da gasolina, e da PIS-Cofins, que minimizou o efeito da alta internacional no preço do trigo. Aos parlamentares, Mantega disse que a perda do poder aquisitivo da população de menor renda é "a questão mais preocupante" atualmente. Esta atenção da equipe econômica ocorre porque esta faixa de renda compromete, em média, até 40% do rendimento mensal com alimentação, justamente o setor que apresenta a maior inflação acumulada dos últimos meses.
Mantega repetiu que se forem excluídos os preços de alimentos, bebidas e derivados de commodities, como petróleo e aço, a inflação seria muito menor. Até maio de 2008, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses subiu 5,58%. Neste mesmo período, o grupo de alimentos e bebidas teve alta de 14,63%. Já os demais preços subiram 3,21%.