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Governo ‘segura’ exportação de etanol

15 mai 2011 às 08:45

O governo brasileiro impôs uma "operação padrão" para as exportações de etanol. Segundo fontes do setor, os registros de exportação do produto estão atrasando até 30 dias para serem emitidos e liberados. Sem esse documento, navios cheios de etanol ficam parados no porto.

O problema não é tão grave porque é entressafra de etanol. O setor estima que, na sexta-feira, havia três navios parados com 50 milhões de litros do produto, sem autorização para seguir viagem e sem conseguir retornar ao mercado interno.


Segundo fontes ouvidas pelo Estado, o principal problema é o aumento do custo logístico. Para cada dia parado no porto, os navios cobram aproximadamente US$ 50 mil das usinas. Entre as empresas afetadas, estariam exportadoras de etanol como Copersucar, SCA, Bioagência , Bauche e Alcotra.


Os registros de exportação são expedidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento. Não é formalmente uma licença para exportar, mas esse documento é essencial para conseguir a Declaração de Despacho de Exportação (DDE) e liberar o produto.


Monitoramento


Procurado pela reportagem, o ministério informou que estava realizando uma ação de "monitoramento" das exportações de etanol, mas disse que o processo já foi normalizado. Uma fonte do setor contou que técnicos do governo disseram que a situação deve se regularizar até o próximo domingo.


A medida teria como objetivo evitar que o etanol deixe o País por causa da oferta limitada do produto existente hoje no mercado interno. Os preços do etanol começam a ceder com a entrada da safra, mas o governo ficou alarmado com o impacto da alta dos combustíveis na inflação.


Para acelerar a queda dos preços dos combustíveis, o governo chegou a interferir diretamente no mercado. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, determinou que a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás, reduzisse os preços.


A retenção das exportações de etanol, no entanto, é apenas um alerta para o setor, porque não tem volume suficiente para provocar uma alteração de preços no mercado. No ano passado, o Brasil exportou 1,8 bilhão de litros de etanol - volume equivalente ao que o mercado interno consome em um mês.


Além disso, boa parte do etanol retido não tem as especificações de produto carburante, que é utilizado como combustível, logo, não poderia ajudar a elevar a oferta interna. O etanol retido segue especificações para uso na indústria química, como cosméticos e medicamentos.

"É uma questão eminentemente política", disse uma fonte. "É péssimo para a imagem do País no exterior, que se promoveu como importante produtor de etanol e potencial exportador", comentou outra fonte. Um empresário contou ao Estado que alguns embarques só foram liberados "depois de muita gestão política".


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